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Antolhos

Não é porque a eleição está batendo às nossas portas que devemos deixar de olhar o passado. Particularmente nunca compartilhei minhas ideologias políticas nas redes sociais ou no meu próprio site. Considero a democracia um direito de todos e penso ser absurdo pessoas deixarem de ser amigas por terem posicionamentos políticos contrários.

Já faz algum tempo escrevi sobre as paradas gays no Brasil (click aqui e leia). Não com intuito de denegrir este ou aquele grupo, mas com a intenção de questionar sua real necessidade. Recebi muitos elogios pelo texto, mas confesso que gostaria de ter atingido um público leitor maior.

O que falta à grande maioria da população é informação. Não informação tendenciosa, vinculada por empresas interessadas em fatias do bolo, mas aquela de quem vivencia ou vivenciou as realidades do país. E disso posso falar de pelo menos 3 aspectos: Educação, Movimentos sem terra e Movimento gay.
Trabalho a mais de 20 anos no terceiro setor. A ONG da qual faço parte nunca recebeu um centavo do governo, até mesmo porque acreditamos que se nossa denominação é Organização Não Governamental, é uma contradição receber recursos federais, estaduais ou municipais. Ao longo dos anos desenvolvemos vários projetos, participamos de vários fóruns, feiras, encontros, eleições de conselhos, campanhas sociais etc. Porém o mais importante são as pessoas que você conhece, como agem, o que são capazes de fazer.
Com toda a segurança, posso afirmar que de 12 anos para cá, o lixo, a falcatrua e a corrupção no terceiro setor cresceram assustadoramente. 
Quem apenas lê revistas semanais, nunca vai imaginar o que acontece nas desapropriações de terra, nos seminários, encontros e fóruns de entidades que trabalham com prevenção a DSTs e AIDS, nos boletins e diários de classe adulterados no calar da noite para mascarar as estatísticas do bolsa família. 
Quem apenas se limita a ler links suspeitos compartilhados em redes sociais nunca imagina como o dinheiro da merenda escolar vai parar na casa dos diretores de escola públicas, como hotéis 5 estrelas tem andares inteiros tomados por pessoas seminuas desfilando pelos corredores, de madrugada, em busca de sexo durante o que deveria ser um evento de prevenção a DSTs AIDS ou como cidadãos que moram na cidade, tem casas próprias e ainda assim são inscritos como sem terras e ganham lotes do governo.
Quem reproduz o que assiste na TV como verdade absoluta, nunca vivenciou a distribuição de seringas, agulhas descartáveis e garrotes para viciados em drogas injetáveis feita através de recursos do governo. O mesmo governo que deveria se empenhar em retirá-los do vício, oferecer tratamento adequado aos dependentes químicos.
Quem lê os jornais impressos e acredita que em suas linhas estão verdades e grandes revelações, não é capaz de supor o que ocorre em seleções de projetos beneficiados por recursos públicos. Como vereadores e prefeitos engolem grande parte do dinheiro, partilhando o bolo com diretores inescrupulosos de ongs fajutas.
E tem muito mais coisas. Coisas que chegam a ser impossíveis de se escrever em um veículo público.
É triste ver tanta gente militando por ideologias falidas, que pouco servem para mudar alguma coisa. 
É doloroso ver pessoas levantando bandeiras a favor da reforma agrária quando elas nem sabem o que acontece nos bastidores. Não sou contra a reforma agrária. Sou contra o que fazem dizendo ser em prol da reforma agrária.
É desesperador presenciar a cada dia a degradação da educação pública no Brasil, mascarada por indicadores duvidosos, que não refletem a realidade das salas de aula. (click Aqui e saiba mais)
Chega a ser ultrajante ter que admitir que as paradas gays têm como objetivo a prevenção a DSTS e AIDS só porque distribuem camisinhas e panfletos em um evento que é mais um carnaval fora de época.
Não sou moralista, mas acredito que o problema está além da simples facilitação de recursos. O problema está na degradação do caráter humano.
Por tudo que já vivenciei, tudo que já presenciei, não pude continuar a usar os antolhos que o estado coloca em cada cidadão que acredita que estamos no rumo certo.
São pessoas que deixam a sua inteligência e capacidade de raciocínio serem subestimadas. 
Deixam que, praticamente ao nascer, lhes coloquem antolhos. 
Com a campo de visão limitado, só vêem e aprendem o que o estado permite. 
Sabem que são manipulados e não têm coragem de admitir isso.
CORAGEM - Isso, infelizmente, muita gente não tem. 
Qual a surpresa?
Continuamos com o pé na senzala e fazendo tudo que seu mestre mandar.

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©2007 '' Por Elke di Barros