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2 mil reais

Não sentei para escrever mais um texto sobre a violência, a criminalidade ou as mazelas da nossa sociedade.

Não, não é necessário.

Também não preciso falar sobre a hipocrisia das instituições que se dizem defensoras dos Direitos Humanos apoiando sempre a bandidagem, a vagabundagem e o crime organizado.
Vim aqui falar sobre o valor de uma vida.
Será mesmo que a vida é algo que se pode valorar?
Será que um ser humano pode ser precificado?
Soldado PM Tyrone
Thomaz de Aquino
No domingo passado, Ilhéus acordou em choque com a morte do Soldado PM Tyrone Thomaz de Aquino, um profissional exemplar, um cidadão do bem, uma pessoa muito querida por todos que tiveram a chance de conhecê-lo. Morto de forma covarde e vil, ele estava em uma lanchonete quando foi assassinado por marginais. 
A morte de Tyrone expõem uma ferida aberta, um problema enfrentado por todos os que desempenham a função policial: o risco de morte.
Diferentemente de todas as outras profissões, o desempenho da função policial não acaba quando se finda um plantão, conclui-se uma diligência ou termina-se uma ronda. Ser policial é algo que se carrega consigo, onde quer que se vá. É algo que adere à pele, gruda-se à alma e passa a ser indissociável. Aqueles que defendem a sociedade são marcados a ferro e fogo. Ao desempenhar com eficiência sua função e prender um marginal, um estuprador, um ladrão, um sequestrador, um traficante, o policial pode estar assinando a sua sentença de morte. Foi exatamente isso que aconteceu com Tyrone. Ele morreu por ser um bom policial, por ser um profissional que levava a sério o seu dever.
E o que ele ganhou sendo um profissional digno? 
Qual o reconhecimento ou agradecimento que recebeu por desempenhar corretamente a sua função? 
Infelizmente, vivemos em uma sociedade onde aqueles que doam suas vidas em prol de todos só são reconhecidos e homenageados quando estão mortos.
Os hipócritas defensores da bandidagem, aqueles que se dizem justos e corretos, alegam sempre que policiais são trabalhadores como outros quaisquer, que não defendem a sociedade de graça, que recebem salários para isso, como se qualquer um tivesse coragem de arriscar sua vida ao desempenhar uma atividade laboral. E assim vamos vendo geração após geração crescer e propagar essa falta de reconhecimento e gratidão para com aqueles que são a linha de frente da defesa da sociedade contra o mal e a barbárie total.
Tyrone foi morto a mando do chefe de uma facção criminosa, um bandido que de dentro das paredes de um presídio, ordenou a execução do policial, colocando sua cabeça a prêmio por 2 mil reais.
Isso mesmo!
2 mil reais!
Será que a vida vale apenas isso?
Será que esta é a retribuição por empenhar sua vida em defesa do próximo?
Enquanto todos dormem, policiais adentram lugares inimagináveis, matagais intransponíveis, bueiros fétidos, casas abandonadas...
Enquanto todos dormem, eles estão em alerta máximo, tentando defender pessoas que nunca viram e nem mesmo conhecem...
Enquanto todos dormem no aconchego de suas casas, debaixo dos cobertores, eles estão nas ruas, debaixo da forte chuva, com frio e cansados, madrugadas adentro...
Enquanto todos dormem, eles, mesmo não tendo super poderes, estão prontos para enfrentar o perigo, para desafiar a morte e, quiçá, sobreviverem...
Enquanto todos dormem, eles estão divididos entre o medo da morte e a árdua missão de fazer segurança pública;
Enquanto todos dormem, eles sonham acordados com um futuro melhor, com o devido respeito, com um justo salário, com dias de paz, mas principalmente com o momento de voltarem para casa e de olharem suas esposas, seus filhos e dizer-lhes que foi difícil sobreviver à noite anterior, que foi cansativo e até frustrante, mas que estão de volta e que tem por eles o maior amor do mundo.
Tyrone não voltará para casa, não abraçará seus familiares, não se sentará num barzinho com seus amigos, não mais vestirá seu uniforme em defesa da sociedade. Agora ele será apenas mais um dígito nos índices de criminalidade, mais uma vítima da violência. Seus algozes serão defendidos, protegidos e amparados por instituições que se dizem promotoras da justiça e garantidoras da igualdade e dos direitos. 
Triste é saber que vivemos em um mundo onde a luta pelo bem é uma batalha praticamente perdida.


*** Dedico este texto a todos os policiais, guerreiros anônimos, que deixam suas casas, famílias, amigos e sonhos, encarando a morte no combate à criminalidade, garantindo assim a ordem pública e zelando pela nossa segurança, mesmo que isso custe suas próprias vidas!




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Morte na Rede: Jogo conduz jovens e crianças ao suicídio.

Perfil de jovem russa, usuária do Baleia Azul, que cometeu suicídio

Com mais 410 milhões de usuários registrados a rede social russa Vkontakte é o quinto maior site do mundo e é também o berço de um jogo mortal que vem levando adolescentes e crianças ao suicídio: Blue Whale (Baleia Azul, em português).
Lançado em 2015 por usuários anônimos, o jogo é uma espécie de lista de tarefas que exige que seus jogadores realizem 50 desafios, um por dia, sempre enviada às 4:20 da manhã. Entre elas, há incumbências físicas e psicologicamente nocivas e prejudiciais, como “furar a mão”, “Ficar acordado 24 horas assistindo filmes de terror”, “esculpir uma baleia no corpo com uma gilete ou faca”, “não falar com ninguém por um dia”, “subir ao topo de um prédio alto e balançar as pernas de lá”. Tudo deve ser registrado em fotos ou vídeos e postados na rede como prova de tarefa cumprida.
Adolescente exibe braço com desenho de baleia
feito à gilete após cumprir tarefa do jogo
A última tarefa é o suicídio, o que segundo os idealizadores e administradores do jogo permitiria que o jogador se tornasse “altamente desenvolvido” e “livre” de preocupações mundanas como o símbolo do jogo, uma baleia encalhada na praia. Além das tarefas, o jogo também impõem regras aos jogadores, tais como “não contar a ninguém sobre nada” e “sempre realizar as tarefas, quaisquer que sejam”.
Crianças e adolescentes que tentam deixar o jogo, recebem ameaças de morte até mesmo contra seus familiares.
Apesar dos esforço do governo russo e da colaboração da rede social Vkontake,  grupos públicos usando a hashtag “baleia azul” ainda se espalham, cheios de fotos depressivas e citações sobre a falta de sentido da vida e protestos contra o mundo cínico dos adultos.
A existência do jogo veio a público em maio de 2016 graças às investigações do jornal russo Nôvaia Gazeta. Estudando dados e causas de suicídios entre adolescentes russos, os jornalistas descobriram que mais de 100 dos jovens haviam cometido suicídio entre novembro de 2015 e abril de 2016 eram membros de comunidades na internet associadas de alguma maneira ao jogo.
A investigação do jornal chamou a atenção do Comitê Investigativo da Rússia. Diversos suspeitos de gerenciar essas comunidades na internet foram detidos e processados por “incitação ao suicídio”. Mas não foi o suficiente.
A agência de controle das comunicações do governo ordenou que o Vkontakte deletasse grupos públicos e posts com a hashtag “baleia azul e outras similares associadas ao jogo e bloqueasse os usuários que as utilizassem. Os administradores do jogo partiram para outro modus operandi: o uso de grupos de conteúdo fechado na rede social.
Isso minou temporariamente o interesse pelo jogo. Mas em fevereiro de 2017 o Centro Público Russo para Tecnologias de Internet registrou um novo pico no número de posts com hashtags ligadas ao Baleia Azul, que começaram a aparecer no Instagram a uma frequência de uma por minuto. 
No total, quase 45 mil posts foram gravados, mas as contas que os publicaram eram falsas, criadas apenas alguns dias antes.
Print do aplicativo Baleia Azul
parabeniza os jovens que chegam
ao último desafio: o suicídio
O governo russo partiu para ofensiva e lançou uma campanha de marketing contra o suicídio infanto-juvenil, fazendo comerciais de televisão e material de esclarecimento sobre toda a problemática que envolve este problema.
Agora o terror enfrentado pelos russos se espalha pela Europa e Ásia.
Já foram detectados adolescentes jogando o “Baleia Azul” na França, Bulgária, Hungria, Romênia, Ucrânia, Polônia, Casaquistão, Belarus e Azerbaijão.
A revista Elle revelou que o ministério francês da Educação enviou um alerta sobre o jogo às chefias de todas as universidades com a chegada do “Baleia Azul” à França.
De acordo com o jornal Le Nouvel Observateur, a e-Enfance, uma organização destinada a proteger as crianças do bullying cibernético, começou a receber ligações de pais amedrontados, cujas crianças haviam topado com o jogo.
Já o semanário VSD entrevistou representantes da educação francesa, que compararam o “Baleia Azul” a seitas e movimentos radicais, com mecanismos de recrutamento muito similares a esses.
A organização polonesa SafeNet, que busca proteger crianças de conteúdo on-line indevido, lançou um alerta oficial de que o jogo apareceu em redes locais e é perigoso.
Além das redes sociais, já fora encontrados aplicativos que disponibilizam o jogo Baleia Azul para download em sites da internet.
É de extrema importância que os pais e responsáveis tenham conhecimento sobre as atividades desempenhadas por seus filhos ao usarem a internet. O perigo pode estar onde menos se espera, até mesmo por trás da tela do computador, dentro da sua própria casa. 

Links

Reportagem do Daily Mail sobre jovem de 13 anos que tentou suicídio ao jogar Baleia Azul
http://www.dailymail.co.uk/news/article-4324514/Blue-Whale-game-leads-boy-13-try-jump-building.html

Reportagem sobre a morte das jovens russas Yulia Konstantinova e Veronika Volkova, ambas jogadoras do Baleia Azul
https://www.joe.ie/news/blue-whale-sick-online-game-linked-130-suicides-russia-579588

Saiba mais sobre o Baleia Azul
http://www.rferl.org/a/russia-teen-suicide-blue-whale-internet-social-media-game/28322884.html






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©2007 '' Por Elke di Barros