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A epifania da Fosfoetanolamina

Espera-se que todos nessa vida tenham um momento de epifania.
Sabe, aquela hora em que você consegue enxergar além do que querem que você veja.
É justamente disso que trata este post: a súbita sensação de compreensão da essência, do significado.
Estava eu assistindo ao Conexão Repórter, no SBT.
O tema tratado no programa era a Fosfoetanolamina Sintética, uma combinação de uma substância bem comum, chamada monoetanolamina, que se utiliza em xampus para cabelos e mais o ácido fosfórico, um conservante de alimentos. As substâncias combinadas geram a fosfoetanolamina, que é um marcador de células diferenciadas – neste caso, as cancerosas. Ela é capaz de sinalizar, marcar as células doentes para que o sistema imunológico as reconheça e as remova.
Em outras palavras, a cura do câncer.
A fosfoetanolamina (ou fosfoamina) vem sendo estudada desde os anos 90 por pesquisadores brasileiros e era entregue de forma gratuita no campus da USP - Universidade de São Paulo, em São Carlos. Acontece que em 2014, por causa de uma portaria determinando que substâncias experimentais tivessem todos os registros antes de serem disponibilizadas à população, a droga parou de ser entregue pela universidade.
Sem a licença da Anvisa, elas passaram a ser entregues somente se determinadas pela justiça. 
É justamente aqui que começa a epifania.
Enquanto assistia ao programa, tive a oportunidade de ver e ouvir a opinião de oncologistas renomados sobre esse novo método de tratamento. Atacando ferozmente a fosfoetanolamina, eles se colocaram completamente contrários ao seu uso ou a sua eficácia, alegando até que tudo não passava de engodo, efeito placebo.
Senti-me profundamente indignada com estes posicionamentos porque pude perceber nitidamente interesses ocultos por trás de cada palavra. Várias questões me vieram à mente: 

  • Como podem atacar tão veementemente um novo método, quando a quimioterapia e a radioterapia não são 100% eficazes? 
  • Como podem matar a esperança de cura em milhares de pessoas que sofrem com este mal? 
  • Como podem rejeitar a fosfoetanolamina quando receitam remédios que causam centenas de efeitos colaterais nefastos aos doentes?
  • Como podem continuar se negando a enxergar os resultados positivos do tratamento com fosfoetanolamina?

É bem importante lembrar que o surgimento dessa substância pode significar uma verdadeira rasteira na indústria farmacêutica, que fatura milhões com o câncer.
Essa é a chave da epifania: dinheiro.
Infelizmente, o mundo se move em virtude do ter e não do ser.
Quem defende a fosfoetanolamina, não é contra a regularização, apenas deseja mais agilidade e seriedade no processo. Afinal, quem está em risco de morte, não possui todo o tempo do mundo para esperar.
Burocracia à parte, o Brasil tem nas mãos a chance de ser o precursor da cura do Câncer.
Não é admissível que a quartelização farmacêutica e os lobbys empresariais continuem prevalecendo sobre a vida de milhares de pessoas.
Perdi um avô, uma tia-avó, uma grande amiga e um bisavó para o câncer.
Tive todas essas oportunidades de ver o que esta doença faz com as pessoas.
Vi todo tipo de tratamento falhar.
Vi as esperança desaparecerem num passe de mágica.
Meu único desejo era que todos eles pudessem estar aqui hoje e terem a chance de serem tratados com a fosfoetanolamina.
Era apenas isso que meu coração clamava quando desliguei a televisão.


*Dedico este texto a todos aqueles que lutam pela fosfoetanolamina. A todos que não perderam a esperança!

A luta continua!!!

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©2007 '' Por Elke di Barros