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Cegueira Social


Não tem como não acompanhar a polêmica gerada pela indicação do deputado federal Marco Feliciano para presidir a Comissão de Diretos Humanos e Minorias. 
Não vou aqui entrar no mérito ou não que esta criatura tem para exercer tal função. Afinal, todo mundo sabe que racismo é crime, homofobia também. E se ele adota ou não tais posturas não sou eu quem vai julgá-lo. 
Antes de protestarem tão veementemente contra o tal deputado, deveríamos nos questionar sobre que direitos humanos temos no Brasil. 
Fala sério!
Quais são os direitos humanos do pai de família que todos os dias é exposto a situações vexatórias ao pegar um transporte público? 
Quais os direitos humanos das crianças que vão para escola e não têm professor, carteira ou merenda? 
Quais os direitos humanos das milhões de mães que precisam trabalhar e não conseguem uma creche para deixarem os filhos? 
Quais os direitos humanos dos idosos que sofrem para serem atendidos nas famigeradas filas do SUS? 
Quais os direitos humanos das famílias das vítimas da violência urbana? 
Quais os direitos humanos dos milhões de necessitados que sofrem com a seca e a fome no país? 
Quais os direitos humanos dos milhares de deficientes que não encontram apoio do estado para suprir suas necessidades mais básicas? 
Me incomoda muito essa superficialidade de análise. 
Gente que se indigna com a indicação do deputado e não tá nem aí para o verdadeiro caos nacional. 
Homofobia é crime. 
Racismo é crime. 
Mas, antes de tudo, não se deve esquecer que: Corrupção, peculato e negligência são crimes contra a nação! 
Por que não se protesta contra o desvio de verbas das obras da seca no nordeste? 
Por que não se manifestam contra a péssima qualidade da educação nacional? 
Por que não reivindicam melhorias necessárias no sistema de saúde? 
Sabe por quê? 
Porque vivemos em uma sociedade totalmente hipócrita, onde a maioria das pessoas finge ser politicamente correta, quando na verdade são apenas um bando de individualistas. Visualizam apenas seus próprios umbigos, seus próprios problemas, suas próprias mazelas. 
Aliás é isso mesmo que a proliferação desenfreada do minoritarismo faz. 
Essa valorização exacerbada dos direitos de grupos favorece em primeira instância, não aos indivíduos, mas a quem manipula esses grupos. Não sei como não se enxerga isso. 
São gays elegendo deputados gays. 
Os índios elegendo índios. 
Negros elegendo negros. 
Todos lutando sozinhos, uns contra os outros, cada um por si, almejando pequenas conquistas. 
Por que não pensar macro? 
Por que não pensar coletivo? 
Ser de uma etnia diferente, uma raça diferente, uma religião diferente, uma orientação sexual diferente, não transforma ninguém num ser humano diferente, nem especial, nem maior, nem menor. 
A ideia cantada por Humberto Gessinger, na música Ninguém = Ninguém de que “São todos iguais, uns mais iguais que os outros” é a ideia plantada pelo capitalismo voraz, pela lei do salve-se quem puder
Somos todos iguais. 
Somos todos gente. 
Abra os olhos e veja o mundo ao seu redor. 
Apreenda e enxergar além das suas necessidades. 
Não alimente o fracionamento da sociedade em grupos de interesses. 
Vamos nos manifestar contra o caos nacional, contra as mazelas dos nossos estados, contra os problemas das nossas cidades. 
Vamos desejar realmente um país melhor para todos. 
Sem divisões. 
Sem fronteiras. 
Sem preconceitos. 
Sem castas. 
Mas principalmente, sem hipocrisia!

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©2007 '' Por Elke di Barros