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Arrivederci 2013...

Pois é, ainda estamos em 2013...

Foi um ano ímpar, no mais profundo trocadilho.
Vivenciamos grandes momentos sociais: as manifestações por todo o país, o julgamento do mensalão...
Nos deixamos levar pela euforia da Copa das Confederações e pelos festivais de música.
Nos emocionamos com o Papa e a JMJ nas areias de Copacabana.
Mas com tudo isso, se podemos escolher uma palavra para definir 2013, com certeza esta palavra é descoberta.
Não uma descoberta cientifica ou arqueológica, mas sim, descoberta interior.
2013 foi o ano de nos voltarmos para nós mesmos, de exercitarmos aos limites do auto-conhecimento, de estendermos ao outro nosso próprio eu.
Aprendi muito.
Cresci e vislumbrei ângulos e outros lados de pessoas e fatos.
Compreendi que nem sempre dá para entender tudo, mas sempre se pode aprender algo. 
Porque, como dizia o poeta: "a vida tem sempre razão." Ou não.
Aliás, entendi também o quanto é profunda uma frase que ouvi pela primeira vez da minha linda amiga Elisa: "Você quer ser feliz ou quer ter razão?"
Pode até parecer bobagem, mas creio que compreender esse aforismo é essencial para nós seres humanos.
Vivemos sempre preocupados com nosso restrito mundinho, com um universo paralelo criado por nós mesmos.
E tenho que dizer que retirar os antolhos e enxergar o resto do mundo é imperativo em  nossa evolução, seja ela pessoal ou social.
Aqui entra a questão das escolhas que fazemos. 
Isso mesmo.
Nossa vida é feita de escolhas. Milhares delas. Desde a pasta de dentes que compramos até os laços de amizade que desenvolvemos ou a profissão que escolhemos. 
Mas vale lembrar que nenhuma escolha é definitiva, apenas suas consequências. É justamente isso que devemos sempre ter em mente. 
Aproveitar esta visão para realizar uma revisão de conceitos, valores, defeitos, regras, acordos... 
Questionar as verdades absolutas e as vaidades absurdas.
Jogá-las na lata do lixo, sem dó nem piedade.
Foi, já era.
Então, em 2013 arranquei máscaras de muita gente. Muitas delas já calcificadas pelo tempo e pelas atitudes erradas. Outras usadas por conveniência, vantagem. E outras que de tão disfarçadas pareciam até nem existir. Porém mais importante do que desnudar moralmente o outro, é ter coragem de sair da posição cômoda que nos encontramos. 
É árdua a tarefa de ter coragem para enxergar.
Olhei 2013 meio atravessado... um ano com um jeitinho de azarado.
Mas fui enfrente, aguardando o que ele me mostraria.
E ele surpreendeu.
Vivi momentos mágicos ao lado do meu amor e minha família.
Fiz novos amigos e tive a felicidade de reencontrar vários antigos.
Ampliei os horizontes da minha maternidade acolhendo e amando filhos que não vieram de mim mas que se tornaram parte da minha jornada.
Concretizei projetos e elaborei outros.
Fui feliz em 2013.
E aí vem 2014...
Mais um ano que se inicia e com ele temos mais 364 dias para colocar em prática tudo que aprendemos. Reestruturar ideias e sonhos, novos ou antigos.
Viver...
Afinal, como dizia Walt Disney: 

“Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade.” 

Mas esperem... ainda não acabei!
Afinal, este não seria um post de fim de ano se não tivesse os meus desejos para 2014!
Não vamos falar de desejos óbvios como a paz mundial, a erradicação da pobreza, um melhor sistema de saúde, melhores escolas, respeito aos idosos, políticos honestos... Esses já são desejos permanentes.
Vou falar apenas daqueles pitorescos:

1-Abaixo a ditadura da renda nas roupas. O que é isso minha gente? O povo surtou? Toda roupa agora tem que ter pedaços, detalhes e frufrus com renda! Não pelo amor de Deus!
2- Chega de gente aproveitadora! Isso mesmo! Em 2014 vou distribuir chá de semancol para todos os oportunistas que surgirem. Se tiver algum lendo este post, sinta-se avisado(a)!
3- Vamos acabar também com essa palhaçada de Blackfriday no Brasil! Quanta hipocrisia! O que é isso, o Dia da mentira parte 2?
4- Desejo infinitamente mais livrarias em todos os lugares no Brasil!! Ahh, isso sim!
5- Mais estilistas mulheres, que entendam realmente o que nós mulheres desejamos em uma roupa. Me desculpe os outros sexos mas, nós mulheres realmente nos entendemos.
6- Melhores sinais de celular! Vamos e venhamos, os sinais são péssimos, para não dizer pior... 3G é uma piada e 4G não existe!
7- Médicos que prescrevam remédios mais baratos, sem se curvarem aos lobistas da indústria farmacêutica.
8- Menos celebridades instantâneas. Nem preciso dizer porquê...
9- Mercados de artesanatos com produtos verdadeiramente artesanais.
10- Fim das propagandas de shampoo cheias de gente produzida ao extremo e "photoshopada". Esta é verdadeira propaganda enganosa.

Essa listinha e mais os desejos permanentes que falei antes, já tornariam o mundo perfeito.
Então...

Feliz ano Novo!
Beijos em todos!

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Enem que a vaca tussa...

Bem que eu pretendia ficar caladinha, não falar nada sobre isso...
Meu lado ativista não deixou passar em branco.

Mais uma vez o Enem conseguiu se superar.

Em história, uma questão pediu para comparar os filmes "Um príncipe em Nova York" e "Ace Ventura" e dizer o que os filmes relatam e omitem sobre o continente africano. Em primeiro lugar, a pergunta é: Era obrigatório aos candidatos assistir filmes de 1988 e 1994? A grande maioria dos candidatos com certeza nem tinha nascido quando os citados filmes foram lançados.
Teve também a questão da prova de Linguagens, que trazia a letra da música "Até quando?", do reflexivo Gabriel, O pensador. Muito bom usar elementos da cultura pop em questões de concurso mas, de acordo com o próprio Gabriel, a questão tinha várias alternativas como respostas corretas.
Observem!
Foram usados os seguintes versos da música: 
"Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
Virar a cara pra não ver...".

Gabriel, O Pensador
Depois, a pergunta: 
Qual a qualidade principal do trecho?
A) Caráter atual, pelo uso da linguagem própria da internet
B) Cunho apelativo, pela predominância de linguagens metafóricas
C) Tom de diálogo, pela recorrência de gírias
D) Espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial
E) Originalidade, pela concisão da linguagem


Agora levanta a mãos quem concorda que a questão pode ter mais de uma resposta correta...
Mas a coisa não parou por aí...
Karl Marx
As filosofias de Descartes, Marx, Kant, Bacon e Maquiavel também foram temas de questões. 
Nada de outro mundo, afinal, todo mundo estuda isso nos conteúdos programáticos de história, sociologia e filosofia, certo?
Ah, por favor, me dê uma garapa.
Em 2008, a Lei 11.684 alterou o artigo 36 das Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e tornou obrigatórias as disciplinas de Filosofia e Sociologia em todas as séries do ensino médio. A legislação instituiu que as escolas teriam quatro anos para se adaptarem. Assim sendo, passou a valer mesmo em 2012.
Mas não se espantem: As escolas acabam "burlando" a lei, quando se diz Filosofia e Sociologia em todas as séries do Ensino Médio. Não é o que ocorre na realidade, as matérias são intercaladas e os alunos ou tem filosofia ou sociologia em cada série!
A lei existe, mas as formas de aplicabilidade para a mesma não foram discutidas e nem pensadas. 
Uma pena!
Mas isso não é surpresa... 
Quem paga o pato é o pobre estudante que tem que fazer Enem.
Enquanto as provas do Enem não se tornarem algo desprovido do proselitismo político da atual situação, nada mudará na esfera da educação.
Afinal não é fingindo que temos um perfeito sistema educacional que o mundo vai ficar cor-de-rosa e nós pularemos dezenas de posições nos rankings mundiais de educação.
Muita coisa precisa melhorar, mas se eu começar a falar sobre isso aqui, esse post não acaba hoje.
Quem quiser saber mais, pode ler em:


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Sociedade Deletéria

Cada vez que entro no Facebook me surpreendo com alguma coisa. 
Quem leu o post anterior sabe que já falei sobre isso...
Mas não pude deixar passar...
Ultimamente tenho me espantado em como a rede social  vem sendo usada.
Primeiro vamos falar de uma certa lista de redução de mesada por infrações cometidas pelos filhos. 
A tal relação continha itens como: Não colocar o cinto de segurança, não ir à escola, deixar a torneira aberta, matar a aula do inglês ou a natação e por aí vai...
A proposta do brilhante ser humano que criou isso, seria punir os filhos que fizessem tais coisas, descontando dinheiro da mesada. 
Vi estarrecida, centenas de pessoas adorando a tal lista. Comentando coisas como: "Excelente", "Vou adotar aqui em casa", Gostei muito...
Mas espera aí.
A primeira coisa que pensei foi: Onde é que está o juízo dessa gente?
Será que não é possível enxergar o absurdo disso?
Como é que pais e mães vão barganhar com os filhos coisas como: colocar ou não o cinto de segurança, ir ou não à escola, desligar ou não a torneira, almoçar ou não...?
Que loucura é essa?
Onde é que uma criança vai ter autonomia para escolher o que quer fazer em relação a sua segurança física, sua orientação intelectual?
Se os pequenos podem se governar, para que então precisam de pais?
Francamente, onde fica o respeito aos pais, a referência familiar, a estrutura e o papel social da família?
Será que estão reduzidos aos conceitos capitalistas do lucro ou prejuízo?
Triste, muito triste adotar com crianças a máxima: Eles só aprendem quando sentem no bolso. 
Afinal, são crianças ou criminosos de colarinho branco?
E a coisa fica pior ainda quando encontramos milhares de comentários repletos de elogios às tais técnicas.
Sem dúvida alguma, isso é um retrato da total destruição que a estrutura familiar vem enfrentando nas últimas décadas.
Mas as surpresas do Facebook não acabam aqui.
Alguns dias depois, entro e encontro um post de uma amiga que reproduzia um texto, de uma criatura que não vou mencionar nome ou outros detalhes, que valendo-se de uma formação superior e experiência profissional, transmitia aos internautas suas ideias sobre a tragédia ocorrida em Salvador, em que uma médica matou dois irmãos num acidente de trânsito. 
Li todo o texto, muito bem escrito, com palavras escolhidas e parágrafos bem estruturados. Resumindo, o autor fala um pouco sobre a dor da família que perdeu os dois jovens, assim meio por cima, como algo realmente terrível. Mas o objetivo do texto não era esse. Era despertar no público a simpatia pela médica causadora do acidente. 
Com muita condescendência, o texto discorria sobre estruturas psicológicas coletivas, perdão, desequilíbrio emocional, Deus, não julgamento e tal, tal, tal.... 
E perguntava ao leitor: E se fosse sua mãe?
Isso mesmo, perguntava ao leitor o que aconteceria se fosse sua mãe quem tivesse provocado toda essa tragédia.
Fiquei pasma.
Como assim? Se fosse minha mãe?
Parei.
Não acreditei.
O que essa pessoa queria mesmo?
Defender e tomar uma posição em defesa da médica, apelando para conceitos como perdão, não julgar e tal?
Não julgo o acontecido.  
Realmente foi uma tragédia.
 Todos saíram perdendo pois não se enganem, a vida da médica também acabou.
O que mais me choca é que nesses momentos de crise, sempre surgem especialistas em tudo, discorrendo sobre esse mundo e o outro, expondo milhões de teorias e estudos, indo a programas de TV e rádio, dando entrevistas para revistas e sites da internet.
Para que?
Para convencer a população de que isso tá certo e aquilo errado?
Para lançar o nome na mídia e depois colher os louros por isso?
Ao final do texto, a pergunta que fiz foi a seguinte: E se fosse um pobre, motoboy assalariado que tivesse em um dia de fúria jogado sua moto contra o carro de uma médica bem de vida, como as coisas seriam?
Será que esse pobre encontraria defensores tão sagazes e altruístas que justificassem seu ato criminoso de maneira tão nobre?
A hipocrisia da sociedade me choca.
Centenas de pessoas compartilharam o texto, comentaram, se disseram emocionadas.
Mas quantas foram capazes de assumirem seus pensamentos reais, de não se deixarem levar por palavras bonitas?
Não sei.
Ah, e ainda tem mais uma.
Um usuário da rede social publicou uma montagem de fotos onde apareciam ativistas que resgataram os Beagles em São Roque(Sorocaba) e o caso das crianças indígenas enterradas vivas por seus próprios familiares no Mato Grosso. Duas coisas bem diferentes. Mas o tal usuário fazia uma comparação, dizendo que as pessoas simpatizavam com a causa dos cães e não se importavam com os índios. Ora, faça-me o favor. São duas causas distintas e nunca, nunca mesmo, uma vai desmerecer a outra. São duas lutas muito dignas. Mas o povo, alienado, parece louco para tornar suas quaisquer palavras vindas de um estranho que não conhecem, só porque soam politicamente corretas.
Sinto medo da forma simples como se manipulam as massas.
A palavra nunca deixou tão clara sua força, como vem fazendo através das redes sociais.
Arnold Toynbee



"Os componentes da sociedade não são os seres humanos, mas as relações que existem entre eles."
Arnold Toynbee
Economista Britânico




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Imparcial parcialidade

A linguagem foi uma das maneiras encontradas pelos seres para estabelecer comunicação. Utilizada a todo e qualquer instante, seja para trabalhar, estudar, negociar, planejar, fazer rir ou chorar, informar ou se fazer entender - ou pelo menos tentar - a linguagem é fundamentalmente usada com propósitos sociais. As línguas simplesmente não existiriam se não fossem as atividades sociais das quais elas são instrumento.
O uso da linguagem, seja ela escrita, falada, sinalizada ou gestual, é uma forma de ação conjunta, que surge quando locutores e co-locutores desempenham suas ações de maneiras individuais, porém coordenadas entre si de alguma forma. Assim sendo, podemos dizer que a linguagem incorpora processos individuais, bem como processos sociais pois, falantes, escritores, ouvintes ou leitores devem executar suas ações na condição de indivíduos, se quiserem obter sucesso no uso do mecanismo linguístico, trabalhando juntos como unidades sociais.
Na linguagem humana, os significados só podem ser totalmente compreendidos se analisarmos contexto e interlocutores. Se partirmos do pressuposto de que para haver de fato a comunicação através da linguagem, e que esta depende conjuntamente de ambas as partes individualmente, concluímos que se uma das partes não executar adequadamente seu papel, a comunicação apresentará falha. 
Mas como pode uma das partes não cumprir adequadamente o seu papel?
Antes de respondermos, vamos falar um pouquinho sobre Marshall McLuhan, um dos maiores teóricos da comunicação.
Um dos mais famosos conceitos de McLuhan é o de "aldeia global". Em seu livro O meio é a mensagem, ele afirma que "a nova interdependência eletrônica cria o mundo à imagem de uma aldeia global". Quando ele falou isso, a coisa mais parecida com internet que existia eram as redes de computadores militares norte-americanas. Computador pessoal era apenas um sonho distante. McLuhan falava basicamente da influência da televisão (instrumento inovador na época) na comunicação de massa.
A evolução tecnológica deixa, aqui, de ser mera coadjuvante na vida social: o que é dito é condicionado pela maneira como se diz. O próprio meio passou a ser a principal atração, a informação. Muitas das páginas que estão na internet, por exemplo, poderiam ser livros ou revistas, mas, segundo McLuhan, tornam-se interessantes justamente porque estão em um novo meio de comunicação.
Segundo ele - guardem bem essa frase - "Poucos estudantes conseguem adquirir proficiência na análise de um jornal. Ainda menos têm capacidade para discutir com inteligência um filme."
Uma das mais curiosas idéias de McLuhan é a de que "os meios de comunicação são extensões do homem". Assim como se usa uma pinça para aumentar a precisão das mãos e uma chave de fenda para girar um parafuso, os meios de comunicação seriam, na verdade, extensões dos sentidos do homem. Os óculos, por exemplo, são extensões do olho, a roupa é uma extensão da pele, a roda do carro é uma extensão do pé. 
Estamos aqui chegando à resposta da nossa pergunta anterior.
Se o meios são extensões do homem como propôs McLuhan, como poderiam eles serem meros transmissores de mensagens imparciais?
O fenômeno de concentração da imprensa nas mãos do poder político e econômico converteu-se em uma realidade inegável. Em geral, os meios informativos, vinculados ao poder do dinheiro e que defendem a ordem estabelecida, são confrontados pelo desafio da imparcialidade, nunca alcançada ou sequer desejada.
Nada que vemos em um jornal, internet, revista ou TV, foi ali inocentemente publicado.
É fato e é regra que uma reportagem ou notícia ouça todos os lados envolvidos, isso é o que dará um considerável grau de “imparcialidade” a essa produção. O jornalista é antes de tudo um ser humano, tem suas convicções e seus signos pessoais que sempre irão influenciar sua visão do fato, é também funcionário ou autor de um veiculo – se freelancer produz já pensando a que veículo enviará sua produção – e cada veículo tem sua “linha editorial” ou sua orientação bem definida do que quer “vender”, de qual é realmente seu "produto".
Então onde está a imparcialidade?
Apurar um fato já conta como um ato de parcialidade. Escolhemos a fonte que acreditamos ser a melhor, os ângulos que pensamos serem os mais próprios, a pauta que imaginamos interessar o leitor. Quando escrevemos, colocamos em nossos leads o que achamos mais importante ou interessante. A decisão é do jornalista e não do fato.
Marshall McLuhan
Então, quando nos deparamos com uma notícia sobre uma obra social amparada por um político, uma excentricidade de um famoso ou um prognóstico sobre as novas composições familiares na sociedade, devemos antes questionarmos os reais motivos para tais coisas terem sido publicadas em detrimento de outras. Não se enganem! Nenhum meio de comunicação publica coisas como fotos de casamento gays entre artistas porque acha bonitinho ou politicamente correto. Eles preocupam-se em vender, em publicar algo que as pessoas queiram ver e paguem para isso.
Então voltamos novamente a nossa pergunta anterior: Mas como pode uma das partes não cumprir adequadamente o seu papel?
Simples, quando o poder e o dinheiro vem em primeiro lugar, na garupa de uma sociedade sem proficiência na análise de um jornal e sem capacidade para discutir com inteligência pelo menos um filme.
McLuhan nunca esteve tão certo.

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Tudo começa em casa

Uma vez ouvi uma frase que dizia mais ou menos isso: Um desconhecido não pode te surpreender tanto quanto um conhecido.
A mais pura verdade.
Hoje com o avanço tecnológico, em especial o referente à velocidade de propagação de informações, podemos interagir mundialmente em segundos.
Redes sociais e sites de relacionamento acabaram por tornarem-se vitrines de pensamentos, ideias e reflexões.
E foi justamente em uma rede social, que me deparei estes dias com uma das declarações mais individualistas e mesquinhas que já vi na vida. Uma pessoa criticava outras pessoas que postaram fotos dos ataques com agentes químicos na Síria. Mas sabe qual era o principal motivo das criticas? Ele(a) se preocupava com a possibilidade de que a filha visse as fotos.
É isso mesmo.
Num primeiro momento (confesso que tive que ler duas vezes para entender), cheguei a pensar que o post pudesse ser algo bem intencionado.
Mas como algo tão egoísta poderia ter boas intenções?
Vamos detalhar os fatos.
Em primeiro lugar: Por que a filha acessa redes sociais?
Com certeza o faz com a permissão dos pais.

Mas será que esses pais nunca mensuraram a que tipo de coisas a filha poderia estar exposta em uma rede social de amplitude tão abrangente?
Ou será que pensaram que ela acessaria apenas para jogar aqueles aplicativos on-line?
Que tipo de criação é essa em que os pais não conversam com os filhos sobre a vida, os atos humanos, as maldades existentes, o preconceito, as drogas...?
Será mesmo que colocando sua filha numa redoma, ela será um ser humano melhor? Ou se tornará um reflexo individualista e egocentrista dos próprios pais?
Esse é o cerne de todos os nossos problemas sociais, o individualismo voraz cada vez mais alimentado pelo capitalismo. É o que corrói toda a estrutura base de qualquer sociedade: a família. É o que gera o preconceito, a discriminação, a xenofobia, a homofobia... Tudo isso nasce na família, na criação, na convivência, no exemplo. Cria raízes e se reproduz continuamente.
O que aconteceu na Síria foi um ato cruel e desumano. Uma atrocidade sem tamanho.
De acordo com vários sites de notícias, na tentativa de expulsar forças rebeldes de uma área próxima ao leste da capital Damasco, as forças do governo iniciaram um intenso bombardeio na manhã de 21 de agosto. Grupos de oposição dizem que, durante esse ataque, foguetes com agentes tóxicos foram lançados em áreas civis na região de Ghouta. Mais de 300 pessoas morreram, muitas delas mulheres e crianças. Organizações independentes, como os Médicos Sem Fronteiras (MSF), divulgaram números semelhantes. Ativistas da oposição dizem que as mortes podem ser ainda mais numerosas. Segundo eles, foram registradas vítimas nas áreas de Irbin, Duma e Muadhamiya, a oeste, entre outros lugares.
Crianças refugiadas da Síria
Tenho certeza absoluta de que as pessoas que compartilharam fotos, videos e imagens da Síria, tiveram a intenção de mostrar ao mundo o alarmante absurdo cometido contra pessoas indefesas. Não foi, em momento algum, uma atitude pautada em qualquer tipo de falta de respeito às famílias sírias. Não teve conotação maldosa, difamatória ou mórbida.
Eu mostrei as imagens aos meus filhos, inclusive o vídeo deste link, onde um pai sírio reencontra o filhinho: CLICK AQUI. Expliquei a eles o que aconteceu, como seres humanos são capazes de cometer atos tão cruéis.
Por que fiz isso?
Porque desejo que eles sejam homens íntegros, que repudiem qualquer tipo de ação violenta ou agressão desumana, seja ela em uma guerra ou em qualquer outra situação. Quero que sejam seres humanos que se compadeçam com o sofrimento alheio, que façam a diferença lutando por um mundo melhor.
E como eles poderiam desejar melhorar o mundo se pensassem que ele já é perfeito? Ou que ele se resume ao ambiente caloroso e aconchegante que os cerca?
Acredito que as palavras convencem, porém os exemplos arrastam.
E os exemplos com toda certeza começam em casa.
Por esse motivo, os levei a asilos, orfanatos, abrigos de crianças sexualmente abusadas, casas de apoio a crianças com câncer, instituições que assistem portadores de síndrome de down. Mostrei a eles que todos são humanos, todos somos iguais. E como seres humanos temos a obrigação de nos ajudarmos.
Confesso que me sinto muito feliz porque apesar da pouca idade, eles aprendem a cada dia uma lição.
Madre Teresa de Calcutá
Eles brincam com Beyblade, jogam plastation 3, disputam torneios de futebol, vão ao cinema, acessam redes sociais e assistem televisão, tudo que crianças da idade deles fazem. Mas nada disso os impede de que enxerguem o mundo real, onde as diferenças existem mas não são muros intransponíveis.
Meus pequenos tornaram-se colaboradores do Abrigo São Vicente de Paula (para idosos) e doam parte da mesada deles, de forma espontânea. Sentem-se orgulhosos de ajudarem os velhinhos. Também ficam imensamente felizes por doarem roupas e brinquedos para os orfanatos e abrigos de crianças que visitamos regularmente. E ainda contam aos coleguinhas como os pais ajudam uma instituição que cuida de crianças com câncer.
É claro que não sou a Madre Teresa de Calcutá, mas acredito que isso seja o mínimo que os pais devam oferecer aos filhos.
Não é só vestir, calçar, dar brinquedos, alimentar e fornecer acesso a conhecimentos intelectuais.
Pais tem que ensinar seus filhos a serem gente.
Gente de bem, gente descente.
Gente que acredita que o mundo pode ser transformado, mesmo com pequenas ações.



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Verdades veladas

Imaginamos saber das coisas.
Pois é, o nosso erro é IMAGINAR.
Tendemos a acreditar no que vemos na mídia.
Mas esse não é o maior problema. A grande questão é o que não vemos na mídia.
Uma das maiores verdades veladas que andam por aí é sobre Fukushima.

O acidente nuclear de Fukushima, no Japão, aconteceu em março de 2011, após a instalação ter sido atingida por uma tsunami, depois de um tremor sísmico. O evento catastrófico causou uma série de falhas nos equipamentos da Central Nuclear de Fukushima I e lançou materiais radioativos no meio ambiente.
Seria Fukushima o maior desastre ambiental de todos os tempos?
A cada dia, 300 toneladas de água radioativa oriunda de Fukushima entra no Oceano Pacífico. O material radioativo que está sendo lançado vai sobreviver a todos nós por uma grande margem de tempo, sendo constantemente acumulando na cadeia alimentar. Ninguém sabe ao certo quantas pessoas irão eventualmente desenvolver câncer e outros problemas de saúde como resultado deste desastre nuclear, mas alguns especialistas não têm medo de usar a palavra "bilhões".
Em seu novo romance, lançado recentemente sob o título "The Beginning Of The End", o ex-advogado norte-americano Michel Snyder, fala com propriedade sobre a verdadeira aberração que é Fukushima.
Segundo ele, o que aconteceu é um pesadelo de proporções inimagináveis, e não há em todo o hemisfério norte quem seja capaz de se esconder dele. 
Por que?
  • Estima-se que existam 1331 barras de combustível nuclear usadas ​​que precisam ser removidas de Fukushima. Por conta de todos os danos, a remoção guiada eletronicamente por robôs, não será possível. A remoção manual é muito arriscada, pois um único erro pode levar a uma reação em cadeia.
  • De acordo com a Reuters, a quantidade combinada de césio-137 contida nessas barras de combustível nuclear é 14 mil vezes maior do que a que foi lançada quando os EUA lançaram uma bomba atômica sobre Hiroshima no final da II Guerra Mundial.
  • Autoridades do Japão admitem que 300 toneladas de água radioativa de Fukushima entram no Oceano Pacífico a cada 24 horas.
  • Foram encontrados ao longo da costa oeste do Canadá, peixes que apresentavam sangramento nas brânquias, barrigas e olhos. Fukushima seria responsável?
  • 150 ex-marinheiros e fuzileiros navais declararam ter doenças provenientes da radiação, como resultado de servir em navios da Marinha dos EUA perto de Fukushima e estão processando o governo americano por danos.
  • O iodo-131, césio-137 e estrôncio-90, que estão constantemente vindo de Fukushima vão afetar a saúde das pessoas que vivem no hemisfério norte por muito, muito tempo. O iodo-131, por exemplo, pode ser absorvido pela tireóide, onde emite partículas beta que causam danos aos tecidos. Distúrbios na tireóide já foram relatados em pelo menos 40% das crianças na área de Fukushima. Esse percentual pode ser mais alto ainda. Em jovens em desenvolvimento, os danos na tireóide, podem prejudicar o crescimento físico e mental. Entre os adultos, provoca uma gama muito ampla de doenças, incluindo o câncer. O Césio-137  foi encontrado em peixes capturados em locais bem distantes como a Califórnia. Este elemento se espalha por todo o corpo, mas tende a acumular-se nos músculos.  O estrôncio-90 imita cálcio e vai para os nossos ossos.
  • Acredita-se que a instalação nuclear de Fukushima originalmente continha 1.760 toneladas de material nuclear.
  • Existem previsões que estimam, em breve,  níveis de césio, de 5 a 10 vezes maior do que os encontrados durante a era dos testes de bomba atômica, no Pacífico há muitas décadas.
  • De acordo com o Wall Street Journal,  a limpeza de Fukushima pode levar até 40 anos para ser concluída. 
Infelizmente, o verdadeiro horror do desastre só está começando a ser entendido agora e a maioria das pessoas não tem absolutamente nenhuma ideia de quão sério tudo isso é.
A área imediatamente em torno de Fukushima já é permanentemente inabitável, e a verdade é que uma área muito maior do norte do Japão provavelmente deve ser declarada fora dos limites para a habitação humana.
Mas isto não é apenas sobre o Japão. 
A realidade fria e dura da questão é que este é verdadeiramente um desastre âmbito planetário. 
O material nuclear de Fukushima vai ser espalhado por todo o hemisfério norte e um número incontável de pessoas vai acabar gravemente doente.
E lembrem-se: este é um desastre que não está nem perto de ser contido ainda. 
Centenas de toneladas de água radioativa continuam a entrar no Oceano Pacífico a cada dia, tornando o desastre que estamos enfrentando ainda pior.
É o homem demonstrando porque pode ser considerado o maior predador de sua própria espécie. O maior devastador da vida global.

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Do alto do salto

Há muito tempo que os sapatos fazem parte do sonhos de consumo de mulheres no mundo todo.
A ideia dos sapatos como objetos de desejo remota à antiguidade clássica, à Grécia, onde atores de teatro usavam sapatos de salto para tornar evidente a importância de seus personagens nas tramas.
Ferragamo
Enganam-se aqueles que julgam o sapato como um elemento ligado apenas à moda, pura e simplesmente.
O sapato é um objeto arraigado de substância psicológica. São elementos capazes de transmitir mensagens com diferentes conotações, que vão desde um mero ativismo ambiental  a um exacerbante apelo sexual.
Diferentemente da roupa, que ainda é um código social bastante forte e inflexível, o sapato pode ser o toque subversivo do visual. Afinal, um simples sapatinho com salto agulha pode transformar uma freira em uma possível pecadora.
O sapato também reflete um outro aspecto do mundo feminino: a luta das mulheres por mais liberdade e mobilidade em seus papéis sociais.
Como a maioria das mulheres já sabe, amarrar um par de Converse transmite uma mensagem totalmente diferente do que, entrar em um lugar arrastando um par das abomináveis Crocs ou se caminhar na calçada com um Louboutin.
Hoje cabe a cada uma escolher qual a mensagem que seus pés transmitem.
Se perguntarmos a uma mulher porque ela ama sapatos (eu sou uma dessas!), a resposta básica sempre será: Porque eles me fazem me sentir bem.
Essa é a mais pura verdade. Afinal, até mesmo as mais cheinhas são dominadas pela paixonite por sapatos.
A Couture ainda não esteriotipou  a ferro e fogo que tipo de pé pode calçar o que, como faz com as roupas (Só para matar a curiosidade, Paris Hilton calça 43).
Jimmy Choo
Atualmente, quando uma mulher escolhe seus sapatos, está de maneira consciente, demonstrando todas as suas opções e escolhas, sejam elas sociais, familiares ou pessoais.
Transformado  em ícone do desejo consumista pelas mais variadas marcas - Jimmy Choo, Manolo Blahnik, Louboutin e Ferragamo - os sapatos são capazes de despertar nas mulheres a compulsão por comprar pares e mais pares, não importando preço, cor ou tamanho do sacrifício a se fazer para adquiri-los.
Os saltos são um caso realmente à parte quando o assunto é sapato.
É a altura do salto que dá a mulher aquele ritmo sexy quando ela anda, aquele reboladinho lento e cheio de cadência. Ainda tem mais: eles projetam os seios para frente, alongam as pernas e destacam os glúteos.  É isso que os homens mais amam... mesmo que ainda não tenham se dado conta conscientemente.
Louboutin
A influência de artistas na moda dos pés sempre marcou época, desde os saltos de Marilyn Monroe, Judy Garland e seus sapatilhos vermelhos, os calçados de salto cubano de John Travolta em Os embalos de sábado à noite e a revolução dos tênis feita por Jane Fonda e a Ginástica Aeróbica nos anos 1980. Audrey Hepburn, Nancy Sinatra, Gwen Stefani, Sarah Jessica Parker, a lista vai longe...
Ninguém se beneficiou mais da ascensão da cultura das celebridades do que Christian Louboutin. Seus sapatos surgiram como os calçados mais cobiçados, com plataformas altíssimas e a sola vermelha, que é a marca registrada da grife.
Diferentemente das décadas de 1940 e 1950, quando dois estilo de sapatos eram suficientes para serem considerados tendências, hoje em dia vemos um incrível número de modelos. Isto explica-se pelo desejo das mulheres de sentirem-se poderosas, sofisticadas, românticas, modernas, destemidas, ousadas e fundamentadas. É preciso segmentar para agradar a todas.
Bom para as meninas que amam sapatos!
Eu amo e vocês?
Manolo Blahnik

"Não importa se você caiu do salto, desde que ele seja o mais caro e deslumbrante da festa."
Gossip Girl

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Friozinho

A chegada do inverno nos inspira à introspecção, a lembrar de antigas histórias relacionadas a esta estação, a mais fria do ano, apesar de El Niño e La Niña...
Um dos melhores exemplos de histórias de inverno é a fábula da cigarra e a formiga. Esta mágica narrativa nos ensina sobre a sabedoria de guardar e acumular recursos para enfrentarmos adversidades e tempos difíceis. O mais importante é quando atrelamos esta prudência com a real essência de viver a vida, aproveitando cada momento. 
Trabalhar com seriedade, afinco e responsabilidade como a formiguinha, é a base do crescimento e desenvolvimento, mas se incluímos nesta receita uma boa dose de alegria em tudo que fazemos, nossa vida se torna muito mais rica, agradável e isso se potencializa quando aplicamos a responsabilidade social e a cooperação entre as pessoas.
A chegada do inverno também proporciona a caridade. Isso mesmo! Todos acabam envolvidos em boas ações e atos de auxílio ao próximo, como as inúmeras campanhas do agasalho, que ocorrem por todo o país.
O inverno também traz com ele os grandes festejos juninos. Comemorações genuinamente brasileiras. Festas das quais todo brasileiro que se preza deve participar pelo menos uma vez na vida.
Afinal, a história das tradições festivas do Brasil são um verdadeiro tesouro nacional.
De acordo com historiadores, estas festividades foram trazidas para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial. Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha. Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas. Quer coisa mais brasileira do que isso?
Há quem diga que o inverno é uma estação triste por conta das chuvas, as baixas temperaturas, do tempo instável, das gripes e doenças respiratórias.
Mas não só coisas ruins...
A verdade é que o inverno é a estação mais romântica do ano. 
Isso mesmo! 
Estudos mostram que esta é a estação mais propicia ao inicio de novos relacionamentos amorosos, sérios. Então atenção moças solteiras! Esta é a chance de encontrarem o namorado. Eu garanto que dá certo, pois encontrei o meu único e eterno amor no inverno de 93.
Mesmo tendo demarcado o tempo em estações, o homem deve sempre lembrar que a vida não é rígida como um calendário. Afinal podemos viver interiormente um verão, mesmo estando no inverno. 
Como enxergamos o mundo e a vida, só depende de cada um de nós.
Viu? 
O inverno realmente nos inspira.
Ou será que nós inspiramos a vida?



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Tic Tac

Vivemos um momento histórico.
Histórico não só no papel, não só pela ausência de comodismo.
Histórico sim pela tomada de atitude, de desejo de mudança.
Tentam retratar esta onda de protestos como sendo reflexo do aumento das tarifas dos transportes urbanos.  Ledo engano.
Foto: Fábio Motta - Estadão
Os R$ 0,20 foram a gota d´água.
Como já diziam os Titãs: "A gente não que só comida, a gente quer comida, diversão e arte..." 
E não é só isso!
Queremos escolas, hospitais, segurança pública, moradia, transporte...
Já estamos pagando o preço do desgoverno faz tempo.
Quer ver?
Em junho completamos oito anos de ocupação do exército brasileiro no Haiti. Ninguém fala nisso. Nossos soldados foram para lá em 2004, prestar auxílio e até hoje não voltaram. Financiamos tudo e esta conta já chegou em 2 bilhões de reais. Um número bem distante dos 154 milhões que o governo brasileiro disse que iria gastar.
Aliás, o Haiti não é nem foi o único se beneficiar do dinheiro brasileiro. Cuba, Timor Leste, Venezuela, entre outros, também se beneficiaram do suor dos nosso rosto, da arrecadação cada vez mais voraz dos nossos impostos. 
Orçamento aqui nunca adiantou para nada.
Em 2007, os jogos Pan-americanos foram orçados em menos de 400 milhões de reais. A conta acabou subindo para amargos 4 bilhões.
Salvador espera há 10 anos pelo metrô. A obra baiana foi lançada em 2000 e ia custar 300 milhões de reais. Será? O governo já consumiu mais de 600 milhões e a obra continua inacabada. 
Se a situação já se delineava assim, o que dizer das obras dos estádios da Copa?
Basta dizer que desde o começo do ano para cá, o orçamento já recebeu um acréscimo de quase um bilhão de reais.
De bilhão em bilhão, o brasileiro vai pagando a conta.

Sacrificando a possibilidade de uma vida com condições dignas em prol da corrupção desenfreada.
Não temos hospitais descentes, escolas adequadas, professores suficientes, policiamento necessário...
Teremos eventos de cunho mundial, os quais a grande maioria dos brasileiros assistirá pela TV por conta dos exorbitantes preços dos ingressos. A Copa das Confederações já está aí, mostrando como a FIFA quartelizou tudo. Beber um copo de cerveja durante um jogo num estádio custa R$ 12,00. Absurdo!
Privatização de aeroportos, obras ferroviárias que nunca acabam, mensalão, Celso Daniel, Bingos, Renan Calheiros, BNDS, Escândalo da Renascer em Cristo, Brasil Telecom, Daniel Dantas...
Engolimos um sapo atrás do outro durante todos estes anos.
Vimos figuras públicas antes bastiões da verdade e honestidade acima de tudo, amargarem uma derrocada funesta rumo ao fundo do negro poço da incredibilidade.
Assistimos perplexos o mar de lama e corrupção que assolou ou país.
Ah e ainda tem a questão da Rede Globo... Dizer que ela é culpada de tudo é muito comodo, simplista, superficial. Antes de mais nada, a culpa é nossa por termos permitido que ela seja a emissora de TV aberta com maior capacidade de alcance. Isso mesmo. Se ela tem o poder de mascarar a verdade e manipular as massas foi porque expandiu silenciosamente seus tentáculos para todas as aldeias do país, sem que ninguém fizesse nada a respeito. Os "riquinhos" tem de lembrar que o povão não tem Sky, NET, GVT...
Vamos deixar de demagogia e dessa mania pseudo-altruísta de impingir culpas.
Vamos assumir a parcela dos nossos enganos e desacertos.
Certos de que para entramos nos trilhos de um futuro melhor, temos primeiro que alinhar as engrenagens e restabelecer a rota.
O despertar já começou.
Tic-Tac-Tic-Tac-Tic-Tac-Tic-Tac-Tic-Tac-Tic-Tac...
Acerte o seu relógio!

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Totalmente Gossip

Tá bom, vou confessar...
Comecei esse texto umas vinte vezes, todas de formas diferentes.
Mas o fato é que estou me sentindo totalmente Gossip Girl. Click aqui para saber mais.
Hoje, veneno é o meu nome.
Preparados?
A vida é sempre repleta de fatos incontestáveis.
Muitas pessoas nunca crescem, nem ficam mais altas como nos trocadilhos engraçadinhos. Apenas ficam mais gordas.
Tem gente que sempre vai achar que o dinheiro compra tudo e resolve qualquer coisa. Humm... resolve até que muito mas... nem todo o dinheiro do mundo pode fazer uma pessoa se aceitar como é.
Você conhece alguém e a pessoa no dia seguinte já acha que é sua amiga de infância e quer viver enfiada na sua casa? Pule fora, grude nunca acaba em boa coisa.
Aprenda que existem coisas que nunca devemos emprestar: livros, sapatos, cartão de crédito e marido.
Quem te critica ou te difama no twitter é porque tem medo de você na vida real.
Todas as pessoas tem habilidades. Algumas são capazes de grandes feitos como escrever um livro ou descobrir uma fórmula para recarregar baterias de celular em 20 segundos. Outras apenas sabem levantar um copo de vodka ou uma garrafa de cerveja... é a vida!

Sonhos. Todos têm. Alguns bons, outros ruins. Alguns tentam realizá-los, outros, tentam esquecê-los, ou simplesmente fingem que eles não existem. Você escolhe.
Em qualquer circunstância, não importa qual seja a verdade. As pessoas vêem o que que querem ver. 

Nem todos os começos são para se celebrar. Muitas coisas ruins começam: brigas, gripe, período de provas, TPM...
Ah, você tem um amigo(a) que sempre tem a vida repleta de problemas, nunca consegue fazer os trabalhos da faculdade sozinho, pede sua ajuda para mentir para o chefe, nunca tem dinheiro para rachar a conta do restaurante e usa seu nome para conseguir favores? Isso não é um amigo. É um encosto!
Quando o assunto é família, no fundo ainda somos crianças. Não importa o quão velhos ficamos sempre precisamos de um lugar para chamar de lar. Porque sem as pessoas que mais amamos, não podemos evitar nos sentirmos sozinhos no mundo.

Os inimigos mais perigosos são aqueles que nós nem imaginamos ter.
Muita gente se esforça tanto em provar para os outros que são felizes que acabam por esquecer de serem felizes de verdade.
O tempo é implacável. Não importa o quão caro for seu creme anti-rugas.
Não é porque uma coisa está na moda que quer dizer que ela é o máximo!
Atenção meninos, essa é para vocês. Sabe aquele momento em que uma mulher diz: O quê? Não é porque ela não te ouviu, ela só está te dando uma chance de mudar o que falou.
Porém, a lição mais importante é essa: Precisamos olhar para o futuro e saber que, mesmo quando achamos que vimos de tudo, a vida ainda pode nos surpreender, e ainda podemos surpreender a nós mesmos.

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8 ou 1980

Há quem ame e quem odeie a década de 1980. Fato é que aqueles 10 anos foram essenciais para chegarmos onde estamos hoje.

Lembramos dos penteados carregados de laquê e das roupas com ombreiras. 
Madonna nos anos 1980

Madonna e Wham! tocavam nas rádios.
Na televisão, o Alf era o herói para crianças e todos os adolescentes queriam ser da turma de 90210 (mais conhecidos no Brasil como Barrados no Baile).
Atores como Tom Cruiser, Matt Dillon, Ralph Macchio e Rob Lowe povoavam as telas do cinema.
Michael Jackson ainda era negro.
O Menudo era uma epidemia.
Boy George era o camaleão do momento.
Xuxa usava maria-chiquinhas e tinha uma nave cor-de-rosa.
Barbie e Ken tinham casa, carro, roupas glamourosas e edições especiais.
Todo adolescente sonhava em ser Ferris Bueller, personagem imortalizado pelo ator Matthew Broderick, no filme Curtindo a vida adoidado.
O celular começava a ser uma realidade, mesmo que muito elementar e limitada.
Tudo muito fofo.
Mas muitas coisas ruins também começaram nos anos 80.

A primeira e mais impressionante foi a ascensão descontrolada do consumismo. Foi justamente nesse período que as pessoas começaram a alimentar assustadoramente o vício de comprar por impulso, por compulsão, por influência da mídia. A moda tornou-se mais volátil do que nunca. Os modelitos usados pelas atrizes do seriado Dinastia dominavam o mercado.
Elenco de Dinastia
Aliás vamos abrir um grande parenteses para falar em Dinastia. Este seriado não foi apenas uma soap opera, foi um verdadeiro marco na TV mundial. Seu enredo, estilo novelão dramático, conquistou em primeiro lugar os americanos e depois o mundo todo. Dinastia é considerada a primeira série de TV a criar sua própria linha de roupas, acessórios e perfumes. Todas as mulheres queriam ser Alexis Carrington, personagem interpretado pela atriz Joan Collins. Nascia então o consumismo como o conhecemos agora. 
Agências de publicidade acreditavam que podiam vender qualquer coisa a qualquer pessoa. Impulsionadas pela guerra comercial entre a Pepsi e a Coca-cola, elas premiavam os espectadores com fabulosos comerciais de televisão e engenhosas campanhas de marketing. Astros do rock e estrelas da tv davam o recado. E por mais incrível que pareça, a Pepsi conseguiu alcançar a Coca. Desesperados, os fabricantes da Coca resolveram tomar uma medida drástica: Mudar a fórmula do refrigerante. Foi um fracasso absoluto. Pessoas compravam Coca só para jogar fora em protesto. Resultado: Voltaram para antiga fórmula.
Michael Douglas e Charlie
Seen no filme Wall Street
Mas se consumismo estava em alta, a especulação na bolsa de valores também. Yuppies espalharam seu estilo de vida pelos quatro cantos do mundo: retração das ideologias de cunho coletivista e ascensão de uma ideologia focada no indivíduo. Em 1986, a bolsa de valores americana despencou, resultado das ações de vários especuladores e do "inchaço" da bolha formada pelo "sonho americano". Quem assistiu o filme Wall Street sabe...
Não era só isso. As drogas também começam a tomar a forma globalizada que tem hoje. A maconha já era grande conhecida dos americanos (eles sempre foram o maior mercado consumidor do mundo). Os traficantes então introduziram a cocaína no mercado americano e ela se propagou rapidamente. Primeiro usando Miami como porta de entrada, depois o México e sua enorme fronteira. Jovens e adultos dos frenéticos anos 80, cheiravam em festas e boates. Era a grande onda: Cocaína estava associada ao poder financeiro, a status social. Como era um droga mais cara, logo um "gênio" imaginou uma forma de baratear os custos e oferecer aos menos afortunados: o Crack. É minha gente, isso mesmo, foram os americanos que inventaram o crack. Bastou misturar uma parte de cocaína com duas de bicarbonato de sódio e cozinhar até transformar essa mistura em cristais. O crack ganhou os Estados Unidos e o mundo. Hoje vivenciamos o reflexo de tudo isso.
Por tudo isso que eu digo: Há quem ame e quem odeie os anos 80. 
Mas como podemos ver, ninguém pode negar que chegamos até aqui por conta deles.
Como disse Renato Russo, na música Índios:
"O futuro não é mais como era antigamente."




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Cegueira Social


Não tem como não acompanhar a polêmica gerada pela indicação do deputado federal Marco Feliciano para presidir a Comissão de Diretos Humanos e Minorias. 
Não vou aqui entrar no mérito ou não que esta criatura tem para exercer tal função. Afinal, todo mundo sabe que racismo é crime, homofobia também. E se ele adota ou não tais posturas não sou eu quem vai julgá-lo. 
Antes de protestarem tão veementemente contra o tal deputado, deveríamos nos questionar sobre que direitos humanos temos no Brasil. 
Fala sério!
Quais são os direitos humanos do pai de família que todos os dias é exposto a situações vexatórias ao pegar um transporte público? 
Quais os direitos humanos das crianças que vão para escola e não têm professor, carteira ou merenda? 
Quais os direitos humanos das milhões de mães que precisam trabalhar e não conseguem uma creche para deixarem os filhos? 
Quais os direitos humanos dos idosos que sofrem para serem atendidos nas famigeradas filas do SUS? 
Quais os direitos humanos das famílias das vítimas da violência urbana? 
Quais os direitos humanos dos milhões de necessitados que sofrem com a seca e a fome no país? 
Quais os direitos humanos dos milhares de deficientes que não encontram apoio do estado para suprir suas necessidades mais básicas? 
Me incomoda muito essa superficialidade de análise. 
Gente que se indigna com a indicação do deputado e não tá nem aí para o verdadeiro caos nacional. 
Homofobia é crime. 
Racismo é crime. 
Mas, antes de tudo, não se deve esquecer que: Corrupção, peculato e negligência são crimes contra a nação! 
Por que não se protesta contra o desvio de verbas das obras da seca no nordeste? 
Por que não se manifestam contra a péssima qualidade da educação nacional? 
Por que não reivindicam melhorias necessárias no sistema de saúde? 
Sabe por quê? 
Porque vivemos em uma sociedade totalmente hipócrita, onde a maioria das pessoas finge ser politicamente correta, quando na verdade são apenas um bando de individualistas. Visualizam apenas seus próprios umbigos, seus próprios problemas, suas próprias mazelas. 
Aliás é isso mesmo que a proliferação desenfreada do minoritarismo faz. 
Essa valorização exacerbada dos direitos de grupos favorece em primeira instância, não aos indivíduos, mas a quem manipula esses grupos. Não sei como não se enxerga isso. 
São gays elegendo deputados gays. 
Os índios elegendo índios. 
Negros elegendo negros. 
Todos lutando sozinhos, uns contra os outros, cada um por si, almejando pequenas conquistas. 
Por que não pensar macro? 
Por que não pensar coletivo? 
Ser de uma etnia diferente, uma raça diferente, uma religião diferente, uma orientação sexual diferente, não transforma ninguém num ser humano diferente, nem especial, nem maior, nem menor. 
A ideia cantada por Humberto Gessinger, na música Ninguém = Ninguém de que “São todos iguais, uns mais iguais que os outros” é a ideia plantada pelo capitalismo voraz, pela lei do salve-se quem puder
Somos todos iguais. 
Somos todos gente. 
Abra os olhos e veja o mundo ao seu redor. 
Apreenda e enxergar além das suas necessidades. 
Não alimente o fracionamento da sociedade em grupos de interesses. 
Vamos nos manifestar contra o caos nacional, contra as mazelas dos nossos estados, contra os problemas das nossas cidades. 
Vamos desejar realmente um país melhor para todos. 
Sem divisões. 
Sem fronteiras. 
Sem preconceitos. 
Sem castas. 
Mas principalmente, sem hipocrisia!

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