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Presente da Vida

Todo mundo em algum momento da vida pensa em coisas que gostaria de dizer ou ter dito a alguém. Pode ser aos pais, irmãos, filhos, amigos, esposo ou esposa, namorado ou namorada, tio, primo...
Pode ser que você não diga por não saber como começar, que tenha vergonha ou que simplesmente ache que pode ficar para depois.
Bem, hoje resolvi escrever sobre alguém especial, alguém que amo: minha filha do coração Jádila.
Não posso falar do que sinto por ela, sem contar antes como nossas vidas estavam realmente fadadas a se cruzarem.
Não me tornei mãe de Jádila  de uma hora para outra, nem por ausência de sua mãe verdadeira Maria Lúcia, que devo dizer é uma pessoa maravilhosa, uma mulher de fibra. Fui me transformando aos poucos, como na história do pequeno príncipe e raposa.
A primeira vez que a vi, ela era bem pequena, tinha cerca de 7 anos. Morávamos no mesmo prédio, ela  descia uma pequena escada que dava acesso ao edifício. Magrinha, branquinha, com uma enorme cabeleira loira, me deu um sorriso iluminado. Naquele momento eu nunca imaginaria que um dia seríamos tão próximas. 
O tempo passou. Jádila se mudou e não a vi mais. 
Um dia minha sogra me diz que está tomando conta de uma menina, que está morando com ela por conta da mãe ter que trabalhar. Quando chego à casa da minha sogra descubro que essa menina é ninguém menos do que Jádila.
 Sempre meiga e carinhosa, ela conquistou o coração de toda família e encontrou em Diandra, minha filha, uma irmã mais nova. 
Passei a acompanhá-la, vê-la crescer. Compartilhávamos muitos momentos. Vi quando seus dentes de leite caíram, quando ganhou uma boneca que era quase maior que ela, quando cortou a testa, quando chorava por medo de alguma coisa, quando acordava cedo e ficava horas no banheiro se maquiando para ir à escola... já era sua mãe. 
Hoje tenho orgulho de dizer que ela é minha filha. A filha que não nasceu de mim mas que Deus em sua infinita sabedoria colocou no meu colo, no meu caminho. Uma verdadeira benção.
Todos os dias faço uma prece silenciosa, agradecendo pelos meus 4 tesouros: Diandra, Jádila, Sol e Kauê.
Então, se você leu este post e se lembrou de alguém que ama e ainda não expressou a dimensão dos seus sentimentos, corra! Não deixe para depois!
E para Jádila, que será sempre dona de uma pedaçinho do meu coração, deixo aqui o trecho do livro O Pequeno Príncipe que sempre me fará lembrar dela.


- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda. 

- Ah! Desculpa, disse o principezinho. 
Após uma reflexão, acrescentou: 
- O que quer dizer cativar ? 
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras? 
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar? 
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços... 
- Criar laços? 
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...



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Um fantasma funcional

Há algum tempo escrevi sobre minha experiência pessoal como professora.
No texto Cuspe e  Giz (click aqui para ler) abordei o caos na educação pública no Brasil.
Hoje vamos falar de algo que vai além de um mero conceito: Analfabetismo Funcional.
A primeira vista essa dupla de palavras pode nos passar uma imagem errada, algo que podemos primariamente considerar desconexo, se tonarmos apenas seus significados ao pé da letra.
Vamos entender...
A UNESCO define o analfabeto funcional como uma pessoa que sabe escrever seu próprio nome, assim como lê e escreve frases simples, efetua cálculos básicos, porém é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas, impossibilitando seu desenvolvimento pessoal e profissional. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair o sentido das palavras, colocar idéias no papel por meio da escrita, nem fazer operações matemáticas mais elaboradas.
Preste bem atenção! 
É algo bem diferente de analfabeto ou semi-analfabeto. 
É muito mais grave.
No rastro de uma analfabeto funcional sempre está um histórico escolar ou um certificado de conclusão de uma ou mais etapas de formação educacional (ensino fundamental , ensino médio e ensino superior!)

No Brasil, o índice de analfabetismo funcional é medido entre as pessoas com mais de 20 anos que não completaram quatro anos de estudo formal. Mas este conceito varia de país para país. Na Polônia e no Canadá, por exemplo, é considerado analfabeto funcional a pessoa que possui menos de 8 anos de escolaridade(veja bem que não são 8 anos de idade!).
Segundo a Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Click aqui para visualizá-la na integra), mais de 960 milhões de pessoas em idade adulta em todo o mundo são analfabetos, sendo que mais de 1/3 dos adultos não têm acesso ao conhecimento impresso e às novas tecnologias que poderiam melhorar a qualidade de vida e ajudá-los a adaptar-se às mudanças sociais e culturais.
De acordo com esta declaração, o analfabetismo funcional é um problema significativo em todos os países industrializados e em desenvolvimento. 
No Brasil, 75% das pessoas entre 15 e 64 anos não conseguem ler, escrever e calcular plenamente. Esse número inclui os 68% considerados analfabetos funcionais e os 7% considerados analfabetos absolutos, sem qualquer habilidade de leitura ou escrita. 
E assim chegamos a algo verdadeiramente alarmante: Apenas 1 entre 4 brasileiros consegue ler, escrever e utilizar essas habilidades para continuar aprendendo.

  • Mas por que isso acontece?
  • Como resolver essa situação? 
  • Como reduzir esses números alarmantes? 
Sem dúvida nenhuma que a educação é o caminho. 
Alfabetizar mais pessoas com verdeira qualidade.
Essa é a questão: qualidade e não quantidade.
Infelizmente, hoje vemos que o Brasil optou pela quantidade a qualquer custo. O mais importante é maquiar essa dura realidade e esconder do povo a péssima formação que a eles é oferecida como um favor magicamente concedido, como a grande massa está sempre fadada a acreditar. Educação é um direito de fato, conforme preceitua a nossa constituição.
No fim desse caminho não é surpreendente que encontremos uma enorme quantidade de analfabetos funcionais com diploma até de nível superior! São médicos incapazes de receitar medicamentos através de seus princípios ativos, advogados que mal sabem elaborar uma petição, engenheiros que não conseguem articular cálculos estruturais, assistentes sociais que desconhecem em plenitude os direitos sociais, professores que não conseguem transmitir conteúdos didáticos aos alunos. 
Mas onde está a raiz disso?
Lá atrás...
O nosso país deveria se esforçar em alfabetizar com qualidade. 
Não é aumentando para 9 anos o Ensino Fundamental que a qualidade do ensino irá melhorar. Isso é apenas um golpe, um subterfúgio encontrado pelos detentores do poder para mascarar a realidade da edução brasileira.
Também não é ampliando o horário escolar que teremos o problema resolvido.
Os famosos programas de "Zerar a repetência" e " Classes de Aceleração" ainda não foram capazes de mostrar para que vieram, qual a sua verdadeira eficácia. 

Percebemos que em nosso contexto sócio-político, de pobreza e desigualdade, amplia-se a percepção da inexistência real de oportunidades iguais para todos, especialmente de oportunidades educacionais universais em termos de uma boa educação que permita ao aluno aprender e desenvolver-se como cidadão crítico e ativo. Até que ponto estas políticas de aceleramento em nível dos projetos educacionais públicos, são capazes de sugerir à população que a noção de direitos é cega, a ponto de propor a educação como um benefício concedido e não mais como um direito garantido, amparado por lei.

Se os alunos não forem incentivados à leitura, a atividades que trabalhem com inteligência, pensamento lógico e capacidade de relacionar temas diferentes, nenhum esforço do governo será válido. Continuaremos despejando, todos os anos, milhares de cidadãos "podados" intelectualmente, vilipendiados de seu direito ao saber.
Também não devemos nos esquecer dos professores. Eles são a engrenagem mais importante de todo esse processo. Melhoria nos cursos de formação dos docentes, remuneração adequada, capacitação continuada, estas são apenas algumas sugestões de como proceder, valorizando o professor. Porém é importantíssimo frisarmos o papel fundamental que o comprometimento e a ética profissional devem ter no exercício da docência. Não é possível oferecer educação de qualidade dissociada desses dois elementos norteadores. 
Dá trabalho, é verdade, mas o investimento na educação de qualidade é a única forma capaz de reverter esse caótico quadro social brasileiro!

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O primeiro século do resto de nossas vidas

Entre os anos 60 e 70 do século passado, a revolução sexual transgrediu costumes, deslocou pudores e desnudou conceitos. A pílula anticoncepcional surge com eloquente subsídio.
Nos anos 80 e 90, com o surto da AIDS, a revolução deu uma freada. O medo do desconhecido transformou a desabalada revolução em praticamente celibato forçado.
De certa forma, tornou o ser humano mais careta do que antes. Mas como veremos logo adiante, durou pouco...
Sempre houve uma disputa corrente no mundo, entre conservadores e liberais, de tempos em tempos vozes se elevam proclamando slogans e demarcando território. Porém, apesar desse antagonismo, ambos os lados comungam atualmente de uma vertente: estão todos descontentes com as coisas como estão.
Por que será?
Isso mesmo!
Ainda que uns vençam em alguns assuntos, outros vencem em outros.
Não é essa a questão.Sempre será assim.
O que seria então?
O cinema pornográfico atingiu o ápice de consumo. Nunca se vendeu e comercializou tanto esta vertente. Porém apesar de expor o sexo como nunca, continua incapaz de contar uma história.Talvez o X da questão não seja apenas um, mas toda uma conjunção.
Suas produções não passam de ridículos folhetins dantescos. No rastro do cinema pornô vem o cinema tradicional, com suas grandes produções, repletas de efeitos especiais, 3D e animações, explorando cada vez mais a nudez, abrindo espaço para o sexo literalmente explicito, que também acabará concretamente por infiltrar-se nesta modalidade. Aqui e ali, no cinema independente, esta tendência já dá suas caras. Em alguns anos, uma grande estrela de Hollywood vai fazer cenas de sexo, como as mais renomadas estrelas pornôs.
De país em país, a partir da Europa, o casamento entre homossexuais será gradativamente institucionalizado. Canadá, Portugal, Argentina, Espanha, África do Sul, Islândia, Noruega, Suécia... Já começou. Alguns lugares ainda demorarão bem mais para legalizar a prática. Mas em uma ou duas décadas serão minoria, como os países onde mulheres não votam.
Surgiram novos fetiches, novos produtos químicos que resolvem vários problemas e estimulam vocês sabem o que...
O aperfeiçoamento das técnicas de mudança de sexo.
O aborto já é legal nuns cantos, em outros não.
Todas essas novidades já haviam sido previstas de certa forma.
O que não foi mensurado era a proporção de tempo de que necessitaríamos para interagirmos positivamente ou negativamente com tudo isso.
Onde tudo isso nos levaria...
Chegamos a um novo século carregando a mesma pesada bagagem.
Uma mala com cara de nova, mas que sempre contem os mesmos itens, sendo apenas uma variante sobre os mesmos tópicos. Pagando pela alienação sobre aquilo que julgamos ser libertador.
É impossível falar de uma nova era sem delinear quem serão ou já são as pessoas deste novo/velho momento.
Os adolescentes de hoje são convidados a uma maturidade cada vez mais precoce. Eles assumem responsabilidade com relação ao próprio corpo cada vez mais rápido. Estão transando cada vez mais cedo porque o “ficar” é cada vez mais precoce. Não raro encontramos meninas de 14 anos com problemas sexuais que muitas mulheres de 40 anos nunca experienciaram.
Eles não definem muito bem o que é público e privado. No Facebook publicam tudo o que é privado. Mas é engraçado porque alguns deles, quando estabelecem vínculos, mesmo que não com tanta responsabilidade, colocam gigantescos anéis de compromisso, modificam estado civil em perfis sociais e começam a vigiar o Facebook um do outro.
A verdade é que o hedonismo é quem dá as cartas para a juventude deste século. Tudo tem que dar prazer. As regras ainda existem, mas vêm sempre a reboque das sensações, da satisfação estética, do deslumbre com uma novidade, do que pede a epiderme e do que manda a paixão.
Essa turma beija um monte de gente na boca pela farra, sem compromisso. E a promiscuidade passa a ser sinônimo de liberdade.
Especialistas culpam o excesso de estímulos do meio, as redes sociais, a desestruturação familiar... Um verdadeiro turbilhão.
E dentro desse furacão está a turminha dos 15. Muito imatura psicologicamente, mas com um know-how que espanta muito veterano. Uma turma que de acordo com pesquisas recentes se torna cada vez mais adepta da Bissexualidade.
Estamos caminhando para uma sociedade com tendências à androgenia. Homens e mulheres estão perdendo suas características específicas e se transformando em indivíduos sexualmente ambíguos.
Vivemos numa sociedade onde tudo é permitido, e as pessoas não estão sabendo se comportar dentro desse contexto.
Fica então a pergunta: Por que será?

"O teste de moralidade de uma sociedade, é o que ela faz com suas crianças."
Dietrich Bonhoeffer*

* Teólogo, pastor luterano, membro da resistência alemã anti-nazista

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