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Caleidoscópio

Existem momentos em que de simples coisas surgem grandes reflexões. Momentos de que nos lembramos pouco, ou que nada evidenciam de singular. Talvez porque estejamos acostumados a marcar as transições na vida com grandes acontecimentos: aniversários, formaturas, casamentos.
Na maioria das vezes estamos preparados para essas enormes mudanças e é justamente por isso que elas, apesar de emblemáticas, não são surpreendentes. As grandes transições realmente surgem de pequenos momentos, quando paramos e vemos quem somos. Porque quando vemos o quão longe chegamos, também vemos o quanto ainda temos que caminhar...
A vida é um calidoscópio: mutante a cada movimento.
Sempre que olho nos olhos de quem amo (This is for you, Baby!) vejo uma cascata de pequenas coisas. São mimos, gestos, ações, versos e palavras. Verdadeiros tesouros que muito comumente deixamos passar despercebidos pelos atropelos da vida. Todos deveriam garimpar tais jóias, com a ânsia inerente à grandiosidade.
Aqueles que não são capazes de enxergar, ainda não deram nem o primeiro passo na longa jornada da vida. Geralmente estão apegados ao “preço” (aqui descrito como não sendo apenas algo monetário). Esquecem-se do “valor” das coisas. Pois pérolas nos são presenteadas a todos os momentos. Basta ter olhos e ouvidos.
Compartilho aqui uma pérola: um trecho de diálogo do seriado Gossip Girl, referente a um episódio da quarta temporada, onde os marcantes personagens Blair e Chuck se reencontram após o misterioso desaparecimento do rapaz.
Blair- Só porque você está mal vestido, não significa que não seja Chuck Bass.
Chuck- Por que eu iria querer ser ele?
Blair- Deveria ter me contado que foi baleado.
Chuck- Estou surpreso por você não ter feito isso.
Blair- Eu fiz. Várias vezes, nos meus sonhos. Nos bons. Mas se você estivesse seriamente ferido, eu não iria querer saber.
Chuck- Quando acordei, minha identidade havia sumido, ninguém sabia quem eu era, ninguém vinha me procurar. E eu percebi que eu posso estar vivo, mas Chuck Bass não precisa estar.
Blair- Mudar seu nome não muda quem você é.
Chuck- É um bom começo. Uma chance de ter uma vida simples, ganhar o respeito das pessoas, talvez, tornar-se uma pessoa que alguém poderia amar.
Blair- Alguém amou você. E… Você deve a ela, e a todos a que deu as costas, não fugir, que é o que você está fazendo. E eu não acho que o grande homem que você está falando em querer ser, seja um covarde. Eu acho que ele iria encarar de frente o que fez.
Chuck- Eu destruí a única coisa que eu já amei.
Blair- Eu não te amo mais. Mas é necessário mais do que você para destruir Blair Waldorff.
Chuck- Seu mundo seria mais fácil se eu não voltasse.
Blair- É verdade. Mas não seria meu mundo, sem você nele.

Então abra os olhos!
Aproveite a vida!
Se quiser assistir a cena de Gossip Girl click aqui.

p.s. Dedico este texto a todos que vislumbram o caleidoscópio da vida: Sérgio Rogério, Carol Moura, Hérica Pinheiro, Bonnie, Marianna F., Paloma Santos, Giovano Santos, Manu Nunes, Ana Gabriela, Karoline Nogueira, Sandra Dib, Roberta Paiva, Helena Chasteen, Janine Araújo, Lisa Souza, Euller Sá, Verena e Yasmin Barroso.

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Pedras que ferem a alma


A cada ano centenas de mulheres enfrentam uma morte lenta e impiedosa por apedrejamento no Oriente Médio e África. Já foram feitos relatados no Irã, Nigéria, Somália, Sudão, Iraque, Emirados Árabes, Afeganistão e Paquistão. Isso não é mistério algum, aparece nos noticiários de TV e nas editorias internacionais dos demais veículos de comunicação.Entre lermos uma notícia tão brutal e vermos desfilar diante de nossos olhos imagens de um ato extremamente violento há certa distância.
Agora imaginemos: Uma mulher iraniana é condenada injustamente por adultério, amarrada, amordaçada e enterrada na terra até a cintura, para então ser morta a pedradas numa sequência sangrenta e chocante.
Estou falando do filme O APEDREJAMENTO DE SORAYA M. (THE STONING OF SORAYA M.), uma história real que leva qualquer expectador a sentir-se chocado, a indagar como é possível que seres humanos cometam tais atrocidades.Baseado no livro do jornalista franco-iraniano Freidoune Sahebjam, publicado em 1994, o filme que traz a peculiaridade de ser falado em persa, conta a trágica história de Soraya Manutchehri, mãe de sete filhos, que, foi apedrejada até a morte num vilarejo do Irã, em 1986. O motivo? Uma falsa acusação de adultério levantada pelo marido, que, basicamente, queria se livrar da “esposa inconveniente” para se casar com uma jovem de 14 anos – sem ter que sustentar duas famílias ou devolver o dote de Soraya.
A ardilosa trama que levou Soraya à morte traz como ingredientes a fúria desencadeada pela turba incontrolada da comunidade de um vilarejo, bem como a participação ostensiva dos lideres corruptos da aldeia que se aproveitam do medo e do falho sistema judicial para fazerem a sua vontade: O apedrejamento de Soraya M., simplesmente porque ela é mulher. Simplesmente porque ela é velha.
Vencedor do prêmio de público em Toronto 2008, o filme lembra a todos que, em vastas áreas do mundo, mulheres ainda são consideradas menos que nada, e que apedrejamentos como o exibido na tela ocorrem ainda hoje, agora mesmo.
Um filme que merece ser visto por todos aqueles que acreditam num mundo mais justo, mais digno, mais humano. Uma lição de vida.

Assista o Trailer clicando no link abaixo:

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©2007 '' Por Elke di Barros