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A calçinha da Gisele

O que significa isso?

Você não significa nada!
Ter dinheiro não significa ser rico!
Significa: a mesma palavra, em conotações diferentes.
A carga representativa que atrelamos às palavras, símbolos e signos nos atropela diariamente. Está presente em tudo que vemos, ouvimos, falamos, ou na pior da hipóteses: naquilo que não foi dito.
Outro dia deparei-me com a notícia de que a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República enviou ofício ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) pedindo a suspensão de uma campanha da fabricante de roupas íntimas Hope, estrelada pela modelo Gisele Bündchen.
Na campanha publicitária em questão, a Top ensina a forma correta de se contar ao marido que estourou o limite do cartão de crédito ou bateu o carro. Mas o diabo está nos detalhes: primeiro a moça aparece totalmente vestida (o que lhe rende um sonoro ERRADO), para em seguida aparecer apenas de calcinha e sutiã.
Segundo a secretaria a peça publicitária deprecia a imagem feminina, atrelando-a ao estereótipo de objeto sexual.
Bom, se por um lado, aparentemente, a postura ministerial “parece” correta, por outro é no mínimo contraditória.
Sabe por quê?
Paradinha!
Vamos agora falar de um outro assunto que pode até parecer não ter relação com este anterior: A marcha das Vadias.
Em janeiro de 2011, ocorreram diversos casos de abuso sexual contra mulheres na Universidade de Toronto, no Canadá. Nesta ocasião, o policial Michael Sanguinetti fez uma observação totalmente estapafúrdia: "as mulheres devem evitar se vestirem como putas, para não serem vítimas".
Foi o bastante para dar inicio à Marcha das Vadias ou Marcha das Vagabundas (em inglês: slutwalk). No 3 de abril de 2011, mais de 3 mil pessoas tomaram as ruas de Toronto, no Canadá e desde então o levante tornou-se um movimento internacional realizado por diversas pessoas em todo o mundo. São manifestantes protestando contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro pediram por isso devido as suas vestimentas. Trocando em miúdos: as mulheres teriam pedido para serem estupradas por utilizarem roupas menos recatadas. Durante a marcha, as mulheres usam roupas provocantes: como blusinhas transparentes, lingerie, saias, salto alto ou apenas o sutiã. O evento já se multiplicou mundo afora: Los Angeles, Chicago, Buenos Aires e Amsterdã. No Brasil já ocorreu São Paulo, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília.
Voltando ao caso da lingerie.
Em várias partes do mundo, nós mulheres estamos nas ruas para garantir os direitos femininos, expressos por uma mínima evidência, um código social: a roupa.
Como então vislumbramos a postura ministerial como algo imbuído do significado ao qual se propõe: a defesa dos direitos da mulher?
Até que ponto o comercial da Hope realmente objetiva a mulher como elemento meramente sexual ou mostra a mulher como um ser ciente de suas possibilidades, opções e escolhas?
De mais a mais, a questão também perpassa e levanta um outro ponto: a intimidade conjugal.
Como o aparato governamental pode interferir na relação cotidiana homem-mulher?
É claro que o foco da secretaria deveria ser garantir direitos, mas não esquecendo que qualquer cidadão, independentemente do sexo, religião, raça, classe social ou concepção política, tem direito à privacidade.
Assim sendo, por que não focar seus esforços em pontos realmente relevantes para as mulheres?
· As mulheres lideram as estatísticas dos diagnósticos de hipertensão no Brasil.
· Segundo o INCA, o câncer de mama é responsável por 6,6% de todas as mortes por câncer em nosso país.
· 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e encontram-se abaixo do peso.
· 4 mulheres são espancadas a cada minuto no Brasil.
· 10% das mulheres no mundo são alvo de estupro.
· Segundo o IBGE (pesquisas de 2003 e 2008), as mulheres recebem 70% do salário dos homens em todas as regiões do País.
· A cada dois minutos 5 mulheres são estupradas no Brasil.
· Entre 1996 e 2006, o percentual de mulheres responsáveis pelos domicílios aumentou de 10,3 milhões para 18,5 milhões.
O que acaba parecendo é que a “calcinha” da Gisele serviu apenas de plataforma de mera politicagem ou, em uma remota hipótese, de lobby promocional da lingerie.
O que significa tudo isso?
A consciência é sua, a interpretação também...

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Nocautes do cotidiano

A vida nem sempre nos massacra com a mesmice do cotidiano.

Existem aqueles momentos em que o tempo parece parar e ficamos literalmente de boca aberta.

Ai, ai, ai.

Descobertas e reviravoltas são partes essenciais em qualquer trama, ainda mais na vida real.

Querem amostras?


Então vamos lá...



Cena 01

Família reunida no jantar, pais, avós, filhos, netos, bisnetos... de repente, durante a sobremesa(que diga-se de passagem era um delicioso sorvete de coco da Itália...hummmmmmm), uma neta abre a boca e solta: meu ex-namorado é gay!

Todo mundo para, olha para ela, ainda incrédulos, assimilando a notícia. Pode até parecer normal e realmente seria se o rapaz em questão não fosse o menino dos olhos de toda a família. Na verdade a surpresa maior não foi o fato dele ser gay, mas a triste constatação de que ele não se tornaria um membro real da família. É claro que depois disso ela não se casaria com ele. Aí teve grito, choro e blá-blá-blá... Foi difícil aceitar a ideia de que teriam que arranjar outro casamento para sonhar....fazer o que?


Cena 02

Uma jornalista recebe um e-mail ou melhor, um release sobre uma exposição de arte. Curiosa, vai conferir o site da exposição e ver se valia deslocar-se até lá.

Após olhar e ler tudo, qual não foi sua surpresa ao reparar no nome da assessora de imprensa: uma ex-colega de faculdade. Feliz por tê-la encontrado, a moça enviou um e-mail pessoal para ela. A partir daí trocaram mensagens sobre trabalho, faculdade e coisinhas da vida. Um dia ao abrir sua caixa de entrada, nossa personagem encontra um e-mail da ex-colega falando do marido e dos filhos. Foi necessário ler o e-mail 3 vezes para acreditar no que estava escrito. A ex-colega havia casado com o ex-marido de uma outra amiga, de outro ciclo de amizades. Foi literalmente o momento ideal para o tradicional: “Como este mundo é pequeno!”



Cena 03

Duas funcionárias de uma das filiais de uma multinacional se desentenderam. Uma delas resolveu escrever uma carta à matriz relatando detalhes da briga e difamando a colega. Mas engana-se quem pensou que ela contentou-se em simplesmente postar a carta. E olha que o correio nem estava em greve...Já imaginou ser portador de uma carta “bomba”?

Sem nenhum constrangimento, ela pediu que a outra entregasse pessoalmente a carta ao diretor geral, uma vez que a coitada iria participar de um curso na matriz.

Agora imagine a cara do diretor ao receber a carta, abri e constatar que a missiva falava mal da própria portadora!



Cena 04

Um alto membro de uma congregação religiosa organizou um retiro espiritual. Na partida da viagem ele anunciou: “Vamos todos para um lugar onde a doença não existe. Todos são saudáveis.Vamos jogar fora todos esses remédios que não servirão mais para nós! Já estamos todos curados!”

Crédulos em seu líder, todas as pessoas que tomavam medicamentos jogaram fora, pelas janelas do ônibus, caixas e caixas de remédios. Resultado: horas depois várias pessoas começaram a passar mal. E cadê o remédio?


Cena 05

Um jovem e entusiasmado atleta de fim de tarde (daqueles que vemos correndo todos os dias pela orla, cheios de monitores de frequnacia cardiaca) exercitava-se na Praia do Arpoador. Sempre atento aos movimentos ao seu redor, ele percebeu quando um homem sentado em um banco próximo levantou-se deixando a revista que estava lendo. Como era uma alma caridosa, o jovem apressou-se em pegar a revista e chamar pelo esquecido dono. Atendendo ao chamado o “esquecidinho” respondeu: “Dê uma olhadinha na revista e veja se te interessa...se não gostar deixe no banco que outro vai pegar.” Só então, nosso atleta resolveu olhar o que havia em suas mãos: um exemplar da G Magazine...que acabou retornando na velocidade da luz para o mesmo banco onde estava.

Coisas, coisas e coisas.

Pensamentos, ideias e fatos.

E a vida nos levando em milhões de direções a cada momento.

Você pensa que está tranquilo.

Respira aliviada até receber uma notificação da prefeitura cobrando o seu IPTU de 1981!!! Que obviamente está pago a 20 anos!

Quando não é isso recebe uma ligação do banco dizendo que para vender seu apartamento é necessário um atestado médico seu!!!
Ou que tal: Você pega um táxi no Rio de Janeiro para fazer a entrega de uma doação de 50 cobertores num asilo. Um ato nobre, de responsabilidade social. Mas o motorista se atrapalhou com com as obras do PAC e pronto: acabamos parando no Complexo do Alemão. Aliás sou meio mestra nisso. Já pequei um ônibus errado e fui parar num ponto final na Rocinha!

É são pequenas coisinhas, diferentes, hilárias, inusitadas...mas que acabam por nocautear e deitar por terra a repetitiva exibição da vida, do cotidiano. São pequenas jóias num oceno de águas plácidas.

Como dizia Mário Quintana:

" O cotidiano é o incógnito do mistério."

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©2007 '' Por Elke di Barros