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Falando em Minorias

Nas estradas por onde ando, onde paro e entabulo uma conversa, sempre acaba surgindo um assunto recorrente: a segregação das minorias. Muitos podem ver com bons olhos e até sentirem-se orgulhosos da criação e aplicação de políticas especiais para negros, índios, gays...Mas eu não.
Espera aí, não sou racista, nem homofóbica.
Explico, mas antes eu perguntinha: Será mesmo a institucionalização de direitos e leis específicos que vai nos garantir um mundo mais digno?
Of course not!
A segregação nunca foi o caminho da coletividade.
Ninguém amparado por leis segregacionistas pode se sentir incluído, mesmo porquê, antes de qualquer coisa, a ideia de inclusão e igualdade de direitos proporcionada por tal medida perpassa pelo reconhecimento da diferença, da estigmatização socialmente imposta. E assim sendo, como é possível acreditar que tudo isso é benéfico?
Em um mundo realmente digno, todos tem direito a tudo, deveres iguais, não importando sua raça, orientação sexual, religião, sexo ou idade.
É esse o verdadeiro princípio de uma sociedade justa e igualitária.
Não sei porque motivos as pessoas passaram a acreditar que devem unir-se nas diferenças, apenas para pleitear benesses para si próprias.
São os índios lutando pelos índios. Os negros pelos negros. Os gays pelos gays...e por aí vai.
Questiono a real necessidade disso pois, se todos lutássemos por todos, não haveria minorias.
Mas na revolução propagada pelo sistema atual, muitas vezes esquecemos da estratégia mais antiga utilizada em guerras e mais guerras: separar para conquistar.
É isso mesmo. A segregação é uma eficiente estratégia de domínio social. Só não enxerga quem não quer.
Vamos pensar mais amplo, com mais responsabilidade social, realmente preocupados com o OUTRO. Tudo precisa de um pontapé inicial. Mesmo que ele seja a demolição de paradigmas concretamente instituídos. Você deve estar achando que tudo isso não passa de uma utopia. Mas não é.
É possível construir uma calçada que sirva a qualquer pedestre?
Se fosse construída para que uma cadeirante, um cego, um idoso e uma criança andassem sem dificuldades, todos seriam beneficiados. Não será necessária a posterior implementação de recursos específicos para acessibilidade pois, a ideia de acesso a todos já perpassou por ela. Realmente vale fazer esta reflexão.
Lembremos que aceitar “caixas fechadas” pode até parecer mais fácil. Mas um dia a fita adesiva fica sem cola, e o que você será obrigado a enxergar pode não ser aquilo que imaginou durante todo esse tempo.
Bom, depois de tudo isso, já dou por explicada a minha declaração contra as políticas especiais.
Metáforas à parte, concordo plenamente com o que disse o Barão de Itararé:

“Não é triste mudar de ideia. Triste é não ter ideias para mudar.”

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©2007 '' Por Elke di Barros