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A 6 passos de Você

Desde que o mundo é mundo o ser humano busca algum tipo de relação paralela, um elo, algo que nos conecte a todos.

Existe uma conexão entre as pessoas? Que vidas estarão ligadas a você? Dizem que, neste planeta, as pessoas estão conectadas umas às outras por cadeias de pessoas, o que significa que ninguém permanece no anonimato… pelo menos não por muito tempo.

Sonho ou realidade, ciência ou religião, tudo tenta explicar o que nos uni, isso sem falar no que nos originou.

E nessa “sopa” de possibilidades, surgem muitas teorias. Alguns dizem que o “cimento” que nos une é o DNA. Outros garantem que são os sentimentos. E ainda existem os que acreditam que a “cola” seja uma mistura das convenções sociais.

Debates à parte, vamos falar agora de uma teoria muito interessante: a Teoria dos 6 graus de separação. Como toda certeza, pelo menos uma vez na vida, você já utilizou a expressão: “Mas como esse mundo é pequeno!”

Bom, agora imagine que alguém se preocupou em provar como o mundo é realmente pequeno.

A idéia dos seis graus de separação surgiu pela primeira vez em 1967, quando o psicólogo norte-americano Stanley Milgram publicou a teoria de "mundo pequeno" na revista Psychology Today. As pessoas já suspeitavam de que nós todos somos realmente muito próximos. Mas era a primeira vez que essa ideia era mostrada em grande escala, provando que ela vai além do folclore.


A teoria dos seis graus de separação originou-se a partir de um estudo científico, que defende a tese de que, no mundo, são necessárias no máximo seis laços de amizade para que duas pessoas quaisquer estejam ligadas. No estudo, feito nos Estados Unidos, buscou-se, através do envio de cartas, identificar o número de laços de conhecimento pessoal existente entre duas pessoas quaisquer. Cada pessoa recebia uma carta identificando a pessoa alvo e deveria enviar uma nova carta para a pessoa identificada, caso a conhecesse, ou para uma pessoa qualquer de suas relações que tivesse maior chance de conhecer a pessoa alvo. A pessoa alvo, ao receber a carta, deveria enviar uma carta para os responsáveis pelo estudo. Se isso fosse feito hoje, seria na basse dos scraps, torpedos ou similares, o que facilitaria muito a conclusão das pesquisa.

A popularidade da crença no fato de que o número máximo de passos entre duas pessoas é 6 (seis) gerou, em 1990, uma peça de nome Six Degrees of Separation, de John Guare, além de um filme estrelado por Will Smith, Donald Sutherland e Stockard Channing em 1993.

E a coisa não parou por aí. Na Internet encontramos um jogo bem interessante que se baseia na teoria, denominado Oráculo de Bacon (The Oracle of Bacon). O jogo mostra como o ator Kevin Bacon se relaciona com os demais artistas, sejam de filmes americanos ou não. Para exemplificar, a atriz Fernanda Montenegro tem um número Bacon de 3, obtido da seguinte forma: ela atuou em Joana Francesa (1973) com Jeanne Moreau; esta atuou com Eli Wallach em The Victors (1963) e, finalmente, este atuou com Kevin Bacon em Mystic River (2003). Já Carmem Miranda tem um número de Bacon de 2 e Mazzaropi, 3.

Os estudos sobre grau de separação incluem-se entre os mais modernos estudos de análise de redes sociais. Várias pesquisas vem sendo feitas, como por exemplo, na identificação da estrutura das redes de colaboração de cientistas, redes de cooperação e de transmissão de doenças, além de redes de páginas e sites na web.

Essa teoria também é comprovada pelo uso das redes de relacionamento, como o Orkut. A base de funcionamento do Orkut é a própria teoria, pois graças a ela o engenheiro de software responsável pela rede de relacionamentos, Orkut Buyukkokten, pôde estabelecer uma relação intermediária entre todos os usuários.

De 1967 pra cá muita coisa mudou, mas se pensarmos um pouquinho, talvez o pesquisador tenha razão. O mais chocante é que quando Stanley Milgram fundamentou suas ideias nem existia Orkut, My Space ou Facebook.

Foi justamente explorando esse lado que a rede de TV Americana ABC, criou a série 6 graus de Separação (Six Degrees). Exibida no Brasil pelo canal People & Arts, a trama enfatiza como nosso mundo é, desvendando as conexões entre as vidas de seis pessoas, mais especificamente, 6 nova-iorquinos que nunca se viram, influenciando, modificando, atrapalhando ou até mesmo melhorando as vidas uns dos outros.

Tudo não parece ser muito diferente do plano real.

Então proponho fazermos um pequeno teste, uma brincadeira.

Primeiro, você tem que fazer parte do Orkut, My Space, Facebook ou qualquer outro tipo de site de relacionamento. Em seu perfil escolha um amigo(a). Acesse os amigos desse amigo(a) e click em uma pessoa que você não conhece. No perfil dessa pessoa, escolha uma outra e click. Continue acessando um amigo em cada perfil que visualizar até ter acessado 6 perfis, contando com o seu e o do seu amigo (a). Ao final, veja em que lugar do mundo está a última pessoa.

Viu como o mundo é realmente pequeno?


"Não há passageiros na nave espacial Terra; somos todos tripulação."

Marshall McLuhan



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Jealous Guy*

Anos 80, rock n'roll e Ultraje a Rigor. Pode parar se você está pensando que nas próximas linhas encontrará algo tipo Almanaque Anos 80. Não, não, não. O tema aqui é outro.

Eu quero levar uma vida moderninha

Deixar minha menininha sair sozinha

Não ser machista e não bancar o possessivo

Ser mais seguro e não ser tão impulsivo

Mas eu me mordo de ciúme...”


Isso mesmo, vamos falar de CIÚMES.


Será o ciúme inerente ao humano?


Maybe.

A verdade da verdade é que ele é um sentimento tão antigo quanto a própria humanidade.

E não foi só o Ultrage a Rigor que cantou suas mazelas. John Lennon, Rod Stewart, Shania Twain, Sinnead O'Connor, Maisa, Supla, Kelly Key, Elymar Santos, Cláudia Leite, Dalva de Oliveira também derramaram suas gotas.

Freud já dizia que há um tipo de ciúme normal, que acompanha o sujeito desde a mais tenra idade, algo tipo a rivalidade entre os irmãos e o ciúme do amor entre os pais.

Mas se por um lado ele levantava essa bandeira, por outro, entretanto, nos dizia que, existe uma outra espécie: a loucura de ciúme. Algo que derivava de uma formação delirante, acompanhada da convicção inabalável da traição do outro.

É neste samba do crioulo doido que temos descortinar algumas verdades veladas:


O amor vem sempre acompanhado do desejo de possuir o objeto?


O ciúme é a demonstração de tal anseio de posse?


Serão as mulheres mais ciumentas que os homens?


Quando o ciúme se torna sintoma?


Há um ciúme tipicamente masculino e um feminino?


O que se pode afirmar é que o ciúme flerta com as mais diversas realidades: a encontrada na certeza delirante da loucura, a pretendida pelo ciumento, ou ainda, a da idealização do objeto que se teme perder para outro.

Engana-se quem pensa que o o ciumento não sofre. Quem tem ciúmes é sempre atormentado pela dúvida.

E não só apenas os ciumentos do mundo real. O que a literatura tão bem demonstra, por exemplo, com Machado de Assis e sua enigmática Capitu. Dom Casmurro é a expressão da dúvida do ciumento, só esclarecida na composição de uma teoria que pode chegar a ser delirante. Que o diga o escritor Domingos Proença Filho autor do livro, Capitu Memórias Póstumas. A obra parte em defesa da mais famosa personagem adultera da literatura brasileira. Nela Capitu conta a sua versão da história e defende-se das acusações do ex-marido. No livro, o autor utiliza de técnicas que remetem ao estilo usado por Machado em Dom Casmurro, fazendo recortes de capítulos deste livro, e propondo diálogos com outras personagens literárias como, o Conselheiro Aires, Brás Cubas e Aurélia, do romance Senhora, de José de Alencar..

Outro exemplo mais do que clássico de história de ciúmes é Otelo, de William Shakespeare. Nesta obra clássica da literatura universal, Otelo e Desdêmona são vítimas de um discurso enganoso. Iago emprega a astúcia e a fraude para instaurar a desordem e o caos na vida do casal. Assim, desmorona o mundo da ordem e da bem-aventurança para Otelo, pois ele se vê preso à atroz dúvida do ciúme. Essa paixão o leva a agir conforme os desejos de Iago e por uma questão de honra, Otelo assassina Desdêmona. Um crime totalmente passional.

Como dizia Shakespeare: "Os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce."

Essa é uma das melhores definições sobre ciúmes que já ouvi.

Temos que admitir que a categoria dos ciumentos é muito incompreendida. Então, como ciumenta declarada, porém não psicótica, levanto a bandeira: “Ciumentos aliem-se!”

Como em tudo nessa louca vida, também subdividimos os ciumentos em categorias. Afinal, o que seria da humanidade e do capitalismo se não houvessem camadas, camadas e mais camadas.


Então vamos lá.

Ciumento o gato comeu sua língua

É aquele que só falta cair morto, literalmente estirado, mas é incapaz de pronunciar uma só palavra.





Ciumento Beiço de Sola

É aquele que sempre faz biquinho quando está com ciúmes.

Mas continua mudo.





Ciumento Show Bizz

É aquele que faz verdadeiros escândalos em público. Apresentações dignas do Oscar de melhor ator/atriz dramática.




Ciumento Patrulhinha

É aquele que está sempre em alerta para qualquer sinal. É capaz de identificar uma suposta cantada ou um interesse velado a quilômetros de distância.



Brincadeiras à parte. Vamos ver a coisa com seriedade.

O X da questão é quando nos utilizamos deste sentimento para justificarmos atos maléficos, como crimes passionais.

No Brasil, o código penal não traz legislação específica para "crimes passionais", mas há casos de homicídios que tiveram a pena sensivelmente reduzida sob a alegação de estarem sob domínio de violenta emoção, em "justa provocação da vítima", incluindo aí o ciúmes. Este argumento fundamenta-se na crença de que a paixão sexual e o ciúme podem levar qualquer um a matar. Não vejo muito por este lado.

Mas felizmente hoje, os juizes brasileiros não tem considerado mais como atenuante de crimes a alegação de ciúmes, ou de outro impulso movido pela paixão.

Nos países cujas as leis derivam da cultura anglo-saxônica, a alegação de "crime de paixão" não serve como defesa. Ruth Ellis, a última mulher a ser enforcada na Inglaterra, matou o amante num acesso de ciúmes. E pagou o mais alto preço!

Quem quiser que diga o contrário, mas o fato é que todo mundo tem ou já teve ciúmes. Isso faz parte da natureza humana.

Ah, e tem outra coisa. Atenção homens!!! Não vamos ficar por aí dizendo que ciúmes é só coisa de mulher. Não, Na, Ni, Na, Não!!!

Agora rapazes, levem muito em consideração o conselho da escritora, cortesã e patrona das artes Ninon de Lenclos :


"As mulheres não gostam do ciúme do homem que não amam, porém lhes desagrada bastante que o homem amado não demonstre algum ciúme."

Bom, não sei qual é sua filosofia. Mas eu concordo plenamente com o que disse Fernández de Leon:


"Nenhum amor feneceu em razão do ciúme,

pois ele o que faz é juntar um fogo a outro fogo."


Agora só nos resta assistir o clip da música de John Lennon* que deu origem ao título deste post.





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