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Consultório Sentimental

Vivo lendo por aí relatos de mulheres que narram suas desilusões amorosas. Rompem e reatam relacionamentos, não encontram o verdadeiro amor. Tristes histórias alinhavadas por muitos pontos em comum.
Talvez a ponta do novelo seja a idéia errada do que vem a ser uma relação verdadeira, sólida. Toda relação é uma parceria, uma forma de complementar o outro, ao mesmo tempo em que somos completos. Quando nos anulamos em função dos desejos e vontades do outro, deixa de ser parceria, passando a ser subserviência, dominação, escravidão.
Desenvolve-se assim uma simbiose doentia, onde dominado e dominador julgam necessitar um do outro, desempenhando exatamente estes papéis. Com o passar do tempo, ressentimentos e mágoas começam a acumularem-se embaixo do tapete, até que um dia o “monte” se torna grande demais para ser ignorado. E é justamente nesse ponto que o casal resolve discutir a relação. O que acaba sempre se demonstrando ser um péssimo negócio.
Vejam bem, o ruim não é discutir.
O ruim é nos tornarmos um poço de sentimentos negativos.
Discutir é sempre saudável.
O caminho mais correto é não deixar as pequenas coisinhas tornarem-se monstros que nos espreitam de dentro do guarda-roupa.
Cada problema, plano, vontade ou desejo deve ser esclarecido, explicado e debatido, no exato momento em que surge. Temos que falar sim, o que pensamos, sentimos e por quê.
Deixar dúvidas ou abrir concessões as quais não vemos com bons olhos, pode acabar nos transformando em um tipo de "Scrat"...
Agindo assim, não seremos capazes de viver nada além do que uma solidão a dois.
Conheço muitas relações assim. Casamentos e namoros que se arrastam durante anos, escondendo-se em aparências, usando máscaras e desculpas das mais artificiais possíveis.
Como ser feliz assim?
Realmente não sei responder.
Minha experiência de vida e observação do mundo me faz acreditar no que vivo: uma relação baseada em recíproca lealdade. Por favor, não limitem-se a interpretar lealdade apenas como fidelidade. Ela têm sim este significado, porém não apenas este. Ser leal é antes de tudo ser verdadeiro, sincero, transparente. Ser leal é não construir castelos em frágeis alicerces de falsidade e mentiras. Ser leal é apoiar incondicionalmente o parceiro, pois o nosso apoio é baseado exatamente naquilo que semeamos juntos. Ser leal é ter em mente como honrar os sentimentos do outro. Enfim, ser leal tem milhões de significados. Mas só ama realmente quem é leal. Não pode haver amor onde há hipocrisia, falsidade e subjulgamento.
É aqui que se devem estabelecer as barreiras do que é fugaz daquilo que é constante.
Como toda certeza você que está lendo este post conhece um ou mais casais que vivem a chamada relação elástico: cheia de vai e vens, rompem e reatam como num passe de mágica.
Numa relação assim, um dos lados é sempre aquele mais facilmente manipulado. Aquele que aceita e “perdoa” os erros, as falhas, os deslizes. Na maioria das vezes este lado somos nós, mulheres. Talvez porque, mesmo negando, ainda temos muito enraizada em nosso intimo, a fábula do homem ideal, do príncipe encantado. Que o digam filmes como: A nova Cinderela, Orgulho e Preconceito, e pó aí vai...
Paralelamente a isto, ainda existem outros motivos: o medo de fracassar, o orgulho, a opinião alheia, questões financeiras...
Ir e voltar para o mesmo parceiro pode até ser uma ideia acalentada por muitas, reconfortante em muitos aspectos. Mas até que ponto? Até que ponto aceitar esta situação sem sentir-se inferior, frágil, fraca, ou como muitas se sentem: transa fácil.
Talvez a melhor metáfora para isso seja a do pesadelo.
Uma relação assim é como ter um mau sonho, acordar, sentir o alivio doloroso de ter saído da situação. E, por vontade própria, adormecer e voltar para o antigo pesadelo.
Outras mulheres contam enfrentar diversos problemas, coisas demais para resolver. Acabam por colocar a culpa nos parceiros, filhos, familiares. Indicam um agente causador para cada desastre e, acomodam-se na reconfortante posição de vítima. Uma enorme ilusão.
É óbvio que não somos a Mulher Maravilha, mas culpar o outro nunca será resposta para nada. A primeira medida para solucionarmos essa “teia” de percalços é admitirmos até que ponto somos nós mesmas que originamos ou alimentamos estas situações. Fazendo apenas uma breve reflexão, você verá que neste cartório, ninguém é inocente. É imprescindível que não se tape o sol com a peneira. Pois, por mais que se tente, nunca seremos capazes de enganarmos a nós mesmas.
Se você viu aqui neste breve arremate de idéias, a figura daquilo que te impede de ser feliz, arregace as mangas, e comece a mudar sua vida. A felicidade está ao alcance de todos. Parta pra cima e acredite:
“Realmente o mais difícil é começar!”

Fica aqui mais um conselho, desta vez, nas palavras do escritor, jornalista e cineasta Arnaldo Jabor:
“Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.

Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
Sem inventar um personagem para a relação,
Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;
Quem não levanta a voz, mas fala;
Quem não concorda, mas escuta.”

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©2007 '' Por Elke di Barros