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Futilidades


Fútil, um adjetivo muito interessante. Quando o utilizamos geralmente não somos capazes de mensurar o seu alcance.
Segundo o dicionário Michaelis, a palavra quer dizer: “Leviana, frívola, que tem pouca ou nenhuma importância". Bom, dentre os seus sinônimos não existe a palavra BURRICE. Logo, atrelar sua significação à ideia de falta de inteligência é uma incoerência. Rotular uma pessoa fútil de intelectualmente incapaz é tão ou mais grave do que ser necessariamente fútil, ter atitudes fúteis.
Saibam, pois que todos somos capazes de ensinar e aprender uns com os outros.
“Ah, aquela mulher é uma alienada, não sabe nem onde fica a Rocinha!” – crucifica o suposto intelectual.
Mas esta mesma “alienada” sabe o que significam as letras RSVP, num convite. Ela também sabe qual é o garfo de salada e a faca de peixe.

Eu não poderia deixar de contextualizar isso tudo na Blogsfera. Tenho lido em alguns blogs textos que denigrem outros blogs, única e simplesmente porque seus donos e donas consideram ridículos assuntos como moda, beleza e comportamento. O mais chocante, porém, fica por conta da atitude de alguns blogueiros consagrados, que crucificam iniciantes que pedem humildemente conselhos e opiniões. Particularmente abomino ambas as atitudes. Adoro conhecer gente nova e descobrir blogs interessantes.
Devemos sempre lembrar que todos somos dotados de um “Q” diferencial. È o medo de conhecer o outro, de nos identificarmos de alguma maneira, que impede a aproximação, que mantém os rótulos.
O medo nos torna tremendamente incapazes. Ele pode restringir tanto o nosso pensamento, que chega a inibir nossa capacidade de experienciar e interagir. Ele pode absorver nossa tenção ou esconder nossa consciência.Quando um animal está aterrorizado, ele pode correr ou se esconder. Com precaução, ele investiga, fareja cuidadosamente, olha e escuta atentamente, formula um julgamento.
O animal deixa de sentir medo porquê a ameaça deixou de ser “ameaça”. Ele não se ateve a análises superficiais, a embalagens. Sua força de vontade em superar o medo perpassou pela abertura de seus horizontes cotidianos, pela retirada das barreiras responsáveis pela existência dos posicionamentos errôneos. Ao derrubarmos os muros do medo, resumimos a vida com refinamento e graça.
Tornamo-nos capazes de entender as “futilidades” do outro. Criamos coragem para assumir que também somos fúteis, não importa em que aspectos.
No fundo tudo se resume ao mesmo do mesmo: A metalinguagem da nossa consciência. O “Eu” explicando o próprio “Eu”.
Ah, deixo aqui uma reflexão:

“A brevidade da nossa vida, as limitações dos nossos sentidos, o torpor da nossa indiferença, a futilidade das nossas ocupações, leva-nos a um conhecimento limitado”.

John of Salisbury, escritor inglês, diplomata e Bispo de Chartres
em “Prologue to the Policratus”



P.s. Já ia esquecendo, RSVP é a abreviação de Répondez S'il Vous Plaît, uma expressão francesa, que traduzida para o português significa "Responda, por favor". Abreviação muito utilizada em convites de grandes eventos para a confirmação da presença dos convidados visando um melhor planejamento.

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©2007 '' Por Elke di Barros