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Essencialmente Feminina


Há muito queria falar sobre ser mulher.

Não com aquela posição puramente sexual, de gênero. Mas na essência da palavra.

Modificado pelos padrões culturalmente aceitáveis de cada época e região, o papel e a figura da mulher moldam-se e transmutam-se ao longo do tempo.
De reprimida à endeusada a mulher já experimentou de tudo. Como aceitou ou combateu isso, são outros 500.


Até mesmo nossas mais famosas heroínas clássicas, como Julieta e Medéia, absorveram tal estigma. A principal diferença entre estas personagens femininas está na forma de confrontação com a estrutura social. Julieta não busca um confronto direto com a imposição social de sua época.
Ela utiliza-se de alguns subterfúgios para evitar este embate, como por exemplo, seu plano de encenação da própria morte. Já Medéia, pouco preocupa-se com a imposição de normas e padrões comportamentais, desafiando diretamente toda a estrutura social.
Dois exemplos de mulher, dois opostos de uma mesma criatura.

Desafiar padrões sociais é mais do que impor vontades ou desejos. É, antes de tudo, está disposto a ser marginalizado, execrado socialmente. Isso não se restringe apenas às mulheres. É um conceito bem amplo, que abrange muitos entes e aspectos. Julieta e Medéia arriscaram. Acabaram por tornar seus destinos completamente diferentes daquilo que imaginaram para si. Ousaram mesmo arriscando-se ao fracasso. E foi justamente essa ousadia que determinou o desenlace, destes dois romances clássicos. Ser rainha do seu destino é, antes de qualquer coisa, uma questão de escolha. A vida é uma questão de escolha, independentemente da violência da estrutura social, da força do sistema classista ou de dogmas estigmatizadores. Mas, normalmente, você não costumar escutar isso por aí, ainda mais nestes tempo de cultura do "vitimismo".
Já passou da hora de deixarmos de nos levar por movimentos ou vertentes que se julgam baluartes de uma causa, representantes de um grupo, líderes de questões.
Em meio a tudo isso encontramos a tal revolução feminista.

Quem acredita que o feminismo foi um movimento vitorioso do século passado, que ajudou as mulheres a conquistar seu lugar no mundo, que virou história e tinha razão de ser, deveria dar uma olhada neste posicionamento.
Até que ponto queimar nossos sutiãs em praça pública realmente valeu a pena?
Minuciosamente esclarecendo, não saímos tão vitoriosas quanto imaginamos.

É óbvio que conquistamos coisas importantes, mas ainda assim ao invés de liberdade, acabamos por nos acorrentar em mais papéis a serem desempenhados. Hoje temos de ser fêmeas, mães, esposas, profissionais... um misto de Mata Hari, Madre Teresa e Mary Curie. 
O movimento feminista perdeu muito de seus ideais. Enveredou-se por uma torta representação do esteriótipo da mulher. Uma representação que beira uma total masculinização. Sufocou os desejos mais íntimos da essência feminina, em prol de uma pseudo igualdade. Dividiu as mulheres em categorias de suposta importância, relevância ou dignidade. 
Sim, isso mesmo. 
A doutrinação pro feminismo incutiu em gerações a ideia de o quanto é indigno e irrelevante o papel da mulher que opta por ser dona-de-casa. Um total desperdício! Uma total nulidade para a "causa". Nunca se quer passou pela cabeças delas que era importante tentar enxergar a situação pelo prisma do outro, ouvir o outro lado. Donas- de-casa são, antes de tudo, seres humanos, mulheres. 
Esse foi seu erro mais gritante: segregação e menosprezação aos seus próprios pares.
Não falo por todas as mulheres, mas falo por mim. 
Nunca quis ser homem. 
Nunca quis os papéis masculinos.
Nunca me senti representada por mulheres que saem em passeatas gritando palavras de ordem, com os peitos de fora.
Para que isso?
Será que é realmente tão relevante expor o corpo para sermos ouvidas?
Será que ao fazermos isso não estamos lançando mão de algo tão combatido ao longo dos séculos: a imagem da mulher como objeto sexual?
Não acredito em mudanças que se inspiram em radicalismo e fanatismo ideológico.
Não acredito em mudanças que pregam a total descaracterização de um ente, em prol de uma libertinagem travestida de liberdade.

É importante aceitar que igualdade entre sexos não é necessariamente, deixar de ser quem somos, para nos tornarmos o outro.
A igualdade ultrapassa o aspecto visual do gênero.
Igualdade significa condições honestas e verdadeiras para que cada um desenvolva o que há de melhor no seu lado da balança.

Igualdade é antes de tudo equilíbrio e temperança.

De nada adianta irmos contra a natureza. Frasezinhas estilo: ”A única coisa que uma mulher não consegui fazer melhor que um homem, é xixi contra um muro.”, são no mínimo o errado retrato que alguém tentou transmitir. Algo recheado de recalque.
Mulheres de verdade não precisam disso.
Somos plenas e sempre seremos em muitos aspectos; porém nem todos. 
Este é o segredo. 
Homem e mulher devem se complementar e não, rivalizar eternamente. 
Se Deus quisesse apenas um ser perfeito, não necessitaria criar 2 gêneros numa mesma espécie.
Escolher o seu companheiro só depende de você. 
Mas se quer um conselho, escute o que diz Anais Nin (aliás, é ela na primeira foto deste post):

"Eu escolho um homem
que não duvide de minha coragem
que não me acredite inocente
que tenha a coragem
de me tratar como uma mulher."

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©2007 '' Por Elke di Barros