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O que você canta?

Por que você canta?
Já parou alguma vez para questionar?
Porém o que mais importa não é o porquê e sim o quê.
A música nada mais é do que uma forma de expressão. Arte. Um lugar onde, nas entrelinhas e compassos da melodia, se escondem segredos abertos.

Quem não se lembra de Renato Russo declarando sua bissexualidade nos versos da canção Meninos e Meninas:

“(...) E eu gosto de meninos e meninas”

Foi tão evidente que muita gente não conseguiu interpretar a alcance disso
A ironia mais interessante talvez seja a que impregna as letras de duplo sentido. Qualquer um imaginaria maliciosamente o que poderia ser a famosa barata do SPC:


“Toda vez que eu chego em casa,
a barata da vizinha tá na minha cama(...)”


Através da música o compositor/interprete declara ao mundo suas crenças, preconceitos, ideologias. Isso tem raízes muito profundas. Antes mesmo de Cazuza cantar:


“Meus heróis morreram de overdose,
Meus inimigos estão no poder.
Ideologia!
Eu quero uma pra viver...”


Muitas vezes o que se quer mascarar adquiri “ar” inocente. Bom, até hoje muita gente canta uma “inofensiva” marchinha de carnaval que declara abertamente o preconceito racial:

“O teu cabelo não nega mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata quero o seu amor.”


Presta atenção!
É como se o compositor, que neste caso é Lamartine Babo, descobrisse que a diferença étnica não é uma doença contagiosa! E em 1932!

Tudo isso não fica restrito ao nosso idioma, não.

Quem conhece “My Way”,versão americana imortalizada pelo ícone Frank Sinatra, não faz idéia do que realmente se esconde por trás dos versos:

“(...) I did what I had to do
Eu fiz o que tinha que fazer
And I saw it through without exception
Eu vi tudo, sem exceção.”


Basta dizer, para encurtar a história, que ele era “mui amigo” de Johnny Stompanato e Mickey Cohen, gangesters famosíssimos nos EUA dos anos 40/50.


E parafraseando os Engenheiros do Hawai, na canção Somos quem podemos ser:

“ (...) E tudo ficou tão claro
O que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum... (...)”


Apenas menciono, sem precisar comentar nem exemplificar, os funks, reagges e raps que incentivam a violência, o uso de drogas e práticas criminosas. Não estou generalizando. Por favor, não entendam mal. Tem muita coisa boa nesses estilos e, por isso, não mereciam as porcarias que se propagam se dizendo funk, rap e reagge.
Vamos abrir nossos verdadeiros ouvidos. E refletir sobre dois versos na música Índios, do Legião Urbana:


“(...) Quem me dera ao menos uma vez
Entender o que ninguém consegui explicar (...)”


Talvez o refrão acima se torne tão claro quanto água, ou melhor, tão perceptível quanto a buzina mais estridente.
Então, você realmente ouve o que canta?
Ou apenas canta o que ouve?

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©2007 '' Por Elke di Barros