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Besteirinhas




Hoje, finalmente, desenrolei o fio do meu liquidificador. Sabe, ele é desses modelos que você empurra o fio pra dentro da base. Há uns 5 anos que o pobre fio ficou preso nas engrenagens internas, restando-me apenas uns míseros 10 cm de cabo.
Era uma novela para usá-lo. Mas impressionantemente, sempre tive preguiça de desenrolá-lo.
Fiz mil malabarismos ao fazer suco ou bater vitaminas: usei extensões, levantei a bichinho na altura da tomada, colocava no chão e usava uma tomada bem baixinha.
A verdade da verdade: fui empurrando com a barriga, adiando a execução do realmente deveria ser feito.
Mas hoje, ao acordar, fui até a cozinha e meus olhos caíram sobre ele. Tomei a decisão. Armada de chaves de fenda e outras ferramentas, sentei e, pacientemente, abri e retirei o fio.
Fiquei impressionada com o seu tamanho, afinal já fazia 5 anos que pra mim, ele não passava de um fiozinho de nada.
A surpresa dessa descoberta me trouxe uma alegria maravilhosa.
Assim é a nossa vida. Nos acostumamos a conviver com besteirinhas que podemos resolver. Coisas que deixamos sempre para depois, porquê temos certeza que são muito simples, e logo, não merecem que percamos tempo solucionando-as.
Porém, chega o dia em que a “Montanha de Besteirinhas” pode nos sufocar. O perigo está em passarmos a pensar que tudo na vida pode ser deixado para depois. Vamos adiando, protelando, evitando. Talvez por um medo infundado de fracassar. Talvez por preguiça de enfrentar a vida.
Aliás, a grande metáfora da vida, seria dizermos que ela é um enorme liquidificador: mistura nossas emoções, tritura nossas tristezas, emulsifica nossos sentimentos, homogeneíza nossas vicissitudes.
E se a vida é um enorme liquidificador, será que vale a pena deixarmos o seu fio enrolado?
Bom, eu já desenrolei o meu, e você?

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©2007 '' Por Elke di Barros