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O relógio e a bota 7/8


Sabe, algumas vezes uma caneta e uma folha de papel são os melhores amigos que podemos ter. Digo isto porque deles não precisamos ter vergonha ou esconder nossos mais secretos sentimentos. Minha mente flui através das palavras num vai e vem constante e evolutivo. Mil e uma lembranças, mil momentos, mil coisas feitas e outras tantas por fazer, mil mágoas, mil alegrias. Tudo guardado dentro do peito. Coisas que sufocam, coisas que libertam.
Sentir-se em paz é complicado. O ser humano é bélico por natureza. Luta até contra si próprio. Contradiz o que sua própria boca pronuncia. É vão, insípido, translúcido.
Sempre nos preocupamos ou valorizamos coisas diferentes. Afinal nenhuma essência é igual. Pode se dizer que somos como perfumes: todos compostos por diferentes notas.
Então como poderíamos pensar igual?
Uma mesma coisa pode ter vários significados; depende apenas do ponto de vista de quem a está analisando. Daí surgem divergências funestas, abismos colossais. O que para mim é essencial, para você pode ser desnecessário. Tudo depende da sua visão de mundo, suas crenças pessoais.
É muito difícil não projetarmos no outro o que realmente pensamos. Não raro compramos um presente para um amigo imaginando ser do seu agrado, quando na verdade estamos apenas escolhendo baseado no que nós próprios gostaríamos de ganhar.
Alguns podem chamar de narcisismo; outros de egoísmo. Mas eu discordo. Não se trata nem de uma coisa, nem outra. Simplesmente nos preocupamos tanto em agradar àqueles com os quais nos identificamos que julgamos ser do seu gosto algo que seria do nosso. Mas isso não ameniza a frustração de ganhar um relógio de parede ao invés de uma bota 7/8. Apenas torna a coisa mais clara, coloca em perspectiva.
Somos diferentes porque precisamos ser diferentes. É a pluralidade que traz a evolução. As diferenças somam, acrescentam, enriquecem.
Saber conviver em equilíbrio é a verdadeira arte, o verdadeiro desafio.

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©2007 '' Por Elke di Barros