Avatar

Devoradora de Livros





Ler. Como isso aconteceu em minha vida? Impressionante, mas só tomei gosto pela leitura aos 15 anos. E, por mais piegas que possa parecer, pelas linhas de Paulo Coelho. Dá pra acreditar? O cara deve ser mesmo meio bruxo, pois me enfeitiçou com “BRIDA”, caído em minhas mãos por intermédio de um presente de amigo secreto, oferecido pelo meu então professor de Física. Um acontecimento verdadeiramente surreal. (Se vocês conhecessem o meu professor entenderiam melhor...).
Bem, “BRIDA” me abriu caminho para “O ALQUIMISTA” “DIÁRIO DE UM MAGO” E O “DOM SUPREMO”. Mas não morreu por aí.
Algo em mim desencadeou uma verdadeira reação em cadeia, o pior, ocorrendo em plena adolescência.
Como toda iniciante, tive medo no começo, de aventurar-me por mares desconhecidos. Acorrentava-me ao estilo já familiar. Mas a curiosidade venceu a teimosia quando “O PROFETA” de Gibran Khalil, caiu em minhas mãos. Compartilhei as doces palavras do profeta com quantas amigas pude lembrar; e não saciada, encontrei-me devorando “UMA LÁGRIMA E UM SORRISO”.
Comecei a desenvolver uma fé particular em minhas próprias intuições literárias. Não me deixava levar por críticas ou listas best sellers.
Naqueles tempos a escola nos obrigava a ler quatro livros por ano. Alguns bem insípidos outros até gostosos. Mas geralmente não saiam do binômio nota-obrigação.
Então aos 16 anos tive a chance de ter uma professora de Literatura Maravilhosa: Silvinha. Uma pessoa ímpar. Através dela conheci os diversos movimentos literários, suas características e seus expoentes mais relevantes. Encantei-me por Alvares de Azevedo e Manoel Antônio de Almeida. “O CORTIÇO” e “MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MÍLICIAS”. Daí para Machado de Assis foi um pulo. Amei Capitu e Bentinho desde a primeira linha. E não me esqueço do trecho: “(...) olhos de cigana oblíqua e dissimulada. (...)” Adorei a maestria e sinergia entre as palavras de Machado. Depois seguiu-se um desfile de clássicos: “SENHORA”, “A MORENINHA”, “IRACEMA”, “CLARA DOS ANJOS”, “O ATENEU”, “INÔCENCIA”, “O TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA”, “QUINCAS BORBA”...Pronto, tornei uma leitora voraz.
A fome de leitura que assomou meu espírito não arrefeceu. Apaixonei-me pelos livros. Uma paixão de total simbiose. Uma interligação capaz de anular meu próprio eu.
Quando leio, o universo ao meu redor se dissolve, torno-me personagem do livro que tenho em mãos. Mergulho em outro mundo, sinto outras dores, tenho outros sonhos. Tudo se transforma, como se o tempo não tivesse passado.
Tateando neste novo mundo, encontrei Sidney Sheldon e Danielle Steel. Sim, tenho que falar deles, não tenho vergonha, como alguns amigos encabulados costumam ter. Encantei-me por “SE HOUVER AMANHÔ e “O ANEL DE NOIVADO”.
Alcei vôos mais ousados.
Degladiei-me com “A PESTE” de Albert Camus.
Enlouqueci com a “OBRA COMPLETA” de Campos de Carvalho (realmente deu um nó na minha cabeça, que o diga a “CHUVA IMÓVEL”).
Encontrei-me na menininha que comia chocolates em “TABACARIA”, de Fernando Pessoa.
Assustei-me com o realismo contundente e visceral de James Ellroy em “LOS ANGELES CIDADE PROIBIDA” e fiquei viciada.
Deliciei-me com o “DELTA DE VÊNUS”, de Anais Nin; e vislumbrei os “PEQUENOS PÁSSAROS” num vôo rasante sobre a sensualidade de “HENRY E JUNE”.
Filosofei com os joguinhos de Jostein Gaarder em “O MUNDO DE SOFIA” e “O DIA DO CURINGA”.
Chorei com Nicolas Sparks em “O CADERNO DE NOAH” e “A WALK TO REMEMBER”.
Morri de rir com Marian Keyes em “CASÓRIO”, “FÉRIAS” E “LOS ANGELES”, acabando por me sentir parte da família Walsh.
Descobri outras verdades com Laurence Gardner e “O LEGADO DE MADALENA”.
Viajei no tempo com Marion Zimmer Bradley e “AS BRUMAS DE AVALON” (Li “A GRANDE RAINHA” em um dia).
Tantas histórias. Tantas que nem caberiam aqui.
Aprendi a reconhecer bons leitores, a ouvir opiniões, a fazer uma lista de livros que tem que ser lidos.
Não sei como me classificar, pois sempre quis ser uma leitora livre. E é o que sou. Odeio rótulos.
Bom pra mim, um pesadelo para a moça da biblioteca particular da qual sou sócia. Segundo ela, sou uma caixinha de surpresas. Alguém que lê “LABIRINTO” de Kate Mose em 2 dias e para rebater emenda “SANGUE NA LUA” de James Ellroy na sobremesa. Bom, melhor definição pra mim? Não há.

Related Posts with Thumbnails
 
©2007 '' Por Elke di Barros