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Nuvens no Deserto



“Nessa vida passageira
Eu sou eu, você é você...”
Este primeiro verso da música Flores em Você é um retrato da nossa sociedade moderna. A sociedade do individualismo e da massificação de caráter. Uma sociedade que corre contra o tempo, ensinando as pessoas como o tempo é pecuniariamente valioso e porquê é tão importante não prestar atenção em si e muito menos no outro. É a propagação de uma cultura minimalista que distribui rótulos ao invés de valores, passando para frente a alienante idéia de que quem não é “antenado” é vazio, ignorante ou retardado.
Nunca encontrei uma pessoa oca. Nunca encontrei uma vida sem significado quando se procura realmente o seu significado. Mas afinal, quem realmente se importa em procurar, se dizer que não procuramos é muito mais cômodo e rápido. É esse o perigo de dizer que não procuramos, o pontapé inicial que acaba por culminar na idéia de que a vida não tem qualquer significado. Até mesmo a mais fútil das criaturas têm um sentido na vida. Bem vê, repudiamos tantas coisas, tantas pessoas, tantos lugares, tantas ações. Condenamos e absolvemos até quem nunca esteve embaixo das nossas vistas uma vez sequer.
Tantos de nós repudiam atualmente a filosofia, a religião ou qualquer outro padrão que nos mantinha coesos anteriormente. Repudiamos tudo. Chegamos até a repudiar a terapia da arte, confinando-a e delegando seu real significado a uma elite medíocre e massificadora de opinião.
Por isso não nos restou realmente mais do que olhar para dentro. Os que o fazem descobrem que toda a vida tem significado porque a vida sempre tem significado. Fomos seriamente prejudicados por pessoas que nos disseram o quanto a vida era irracional e que de qualquer modo não significava nada. Mas assim que começamos a olhar, descobrimos o padrão e descobrimos a pessoa. Nunca encontrei aquilo a que se poderia chamar uma pessoa totalmente oca, uma nuvem no deserto. Cada um é ímpar em sua essência, singular no seu íntimo, sozinho ao seu modo.

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©2007 '' Por Elke di Barros