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Duelo de Titãs




Tenho ouvido muito ti-ti-ti sobre EAD - Ensino/Educação à Distância, um falatório sem fim. Opiniões, estudos, debates. Mas o que é realmente discutível em relação a isso?
O X da questão é o crescimento do número de cursos no país. Aliás, não só de cursos, mas de opções de cursos. Isso cutucou muitas onças com vara curta. Entidades classistas tem se manifestado contra o Ensino à Distância; fazendo muito barulho por nada, pois quem realmente define os parâmetros educacionais é o MEC, que diga-se de passagem é mais do que competente para isso.
O que realmente se esconde por trás de tão atroz combate?
Bem simples. Havendo mais cursos haverão mais profissionais em formação, o que acaba por transformar o mercado de trabalho em algo cada vez mais competitivo. Os velhos abutres terão de sacudir a poeira e avançar seguindo a evolução. Já foi-se o tempo em que um “canudo” era sinônimo de emprego. A especialização bate À nossa porta, a Educação à Distância só está nos dando o empurrão que faltava. De nada adiantará espernear. Nem expor argumentos esdrúxulos como questionar sobre quem realmente faz os trabalhos de um aluno de EAD. Saibam pois, que qualquer um, aluno EAD ou não, pode pagar alguém para fazer um trabalho ou pedir como favor a um amigo. Na própria Internet encontramos milhares de sites e “gostwriter” dispostos a escrever as mais densas e espetaculares teses em troca de algumas “onçinhas”.
E só pra registrar, ao contrário do que muita gente imagina, aluno EAD faz prova, como qualquer outro estudante normal.
Então por favor, ponderem muito bem seus argumentos antes de expô-los de forma tão frágil e sem fundamento.
A educação a distância surgiu no século XIX, há mais de 150 anos, e tem a University of London como pioneira. Apenas esta universidade inglesa tem 40 mil alunos EAD em 180 países. Produziu cinco prêmios Nobel. O mais ilustre, o ex-presidente da África do sul, Nelson Mandella, fez o curso de Direito por correspondência na prisão.
Na Segunda Guerra Mundial, soldados americanos já estudavam a distância. Foi no pós-guerra, com a necessidade de formar profissionais rapidamente e reconstruir os países da Europa, que a educação a distância teve um grande impulso.
No Brasil, a educação a distância desembarcou no fim do século XIX. Acredite: aprendia-se datilografia por correspondência. Depois, aulas começaram a ser transmitidas pelo rádio.
Hoje já são mais de 2,5 milhões de estudantes de educação à distância. O avanço tecnológico foi o fermento dessa revolução e a Internet, a ferramenta crucial.
No ensino superior e na pós-graduação, a educação a distância no Brasil caminha a passos de gigante. A oferta de cursos superiores dentro do país cresceu 571% entre 2003 e 2006. Um outro levantamento, de 2007, mostra que o número de alunos avançou 356% em três anos. Segundo o MEC, 73% estão em escolas particulares.
Isso se reflete diretamente no mercado de trabalho. Muitas empresas estão utilizando o sistema EAD para treinar e aperfeiçoar seus funcionários. Hoje um em cada quatro reais investidos em educação corporativa no Brasil já é aplicado em cursos à distância. O último levantamento do setor também revela que os mais comuns são: tecnologia, finanças, vendas e gestão de negócios.
Em 2007, os números do Enade, o exame que avalia os estudantes de graduação, foram favoráveis aos alunos à distância. Na comparação com os presenciais, eles tiraram notas melhores em 7 das 13 áreas analisadas, entre elas Turismo, Ciências Sociais, Administração e Matemática. Isso tudo analisando apenas os alunos concluintes.Quando a análise é feita levando em conta os alunos que ainda estão na fase inicial do curso -o Enade permite separar o desempenho de ingressantes e concluintes-, o quadro é ainda mais favorável ao ensino à distância: em 9 das 13 áreas o resultado foi melhor.
Isso só vem demonstrar que devemos sim levar em conta todas as vantagens do EAD como facilitador do acesso ao 3º Grau.
Tenho muita admiração por que escolhe este caminho, pois ser mestre de si mesmo não é moleza. Implica muita disciplina e aplicação.
Ah, tem mais uma coisinha: não sou nem nunca fui aluna de EAD. Formei-me pelo ensino presencial!

* Este texto foi publicado na Revista Folha da Praia, Edição 126, de 2009, com autorização da Editora deste blog.

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59 Votos


Política, uma coisa muito controversa. Uns gostam outros detestam. E ainda tem aqueles que nem ligam.
Francamente, não costumo me envolver muito com este assunto. Mas como as eleições estão aí, o tema fica meio à baila.
Falar sobre processo eleitoral desdobra-se sobre vários aspectos. Poderia tecer mil comentários, abordar várias facetas. Mas hoje vou discorrer sobre algo que até então não havia refletido muito: o resultado das eleições para vereador.
Fala sério, você alguma vez já se deparou com a listagem final que contém esses resultados? Eu já, mais de uma vez. Mas foi somente agora que atentei: além dos mais votados, há uma infinidade de candidatos que recebem pequena quantidade de votos, às vezes menos que 100.
Vendo os eleitos, com mais de 2 mil votos, pergunto quantos de seus eleitores realmente sabiam em quem votavam. Quantos conhecem o candidato ou seus projetos para a cidade. Quantos votaram por acreditar nas ideologias defendidas por seus eleitos. 
Sinceramente não sei estimar quantos. 
Tive a chance de entrevistar eleitores e questioná-los sobre as razões que são determinantes na escolha do candidato. Ouvi algumas respostas inimagináveis: 
  • Gente que vota só em quem está em primeiro lugar nas pesquisas porque o candidato será vencedor; 
  • Quem só vota em rico; 
  • Gente que vota naquele que distribui peixe na Semana Santa e frango no Natal; 
  • Quem trocou o voto por saco de cimento ou telhas de eternit;
  • Gente que nem sabia em quem votar e pegou um "santinho" qualquer na porta do local de votação;
  • Quem sempre vota no mesmo candidato;
  • E ainda há quem só vote em “Doutor”.

É justamente aqui que retomo a questão dos candidatos menos votados.
Quem vota nesses candidatos geralmente tem motivos muito palpáveis: conhecem bem o candidato, já conversaram sobre projetos e planos de trabalho. São eleitores mais próximos, que realmente acreditam em seus escolhidos.
Todos deveriam ser assim.
Democracia é para todos.
A política deveria aproximar o povo e os governantes, estabelecer uma relação co-participativa que direcionasse os interesses coletivos rumo à concretização próspera e igualitária de uma cidade melhor, um país melhor.
Vamos pensar melhor. 
Nos esforçarmos para criar uma nova consciência coletiva de responsabilidade social.
Sim, saber escolher nossos representantes é o primeiro passo para a estruturação de um futuro realmente democrático e livre de desigualdades.
Pare e pense: será que você realmente conhece o vereador em quem votou? 
Ou será que está esperando o peixe e o frango?

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