Avatar

Nomes




Quando somos crianças e começamos a aprender os nomes, nos fascinamos. Cada nome é uma descoberta curiosa. Porém, com o passar do tempo, percebemos que os nomes nos oprimem, castigam, machucam. Fugindo disso, construímos o nosso próprio discurso. E assim, iniciamos o jogo com os nomes. Incluímos em nosso discurso o que achamos “bom” e excluímos o que tomamos por “ruim”; condenando-nos ao desenvolvimento de um discurso “a priori”.
As pessoas que vivem baseadas em discursos ‘a priori’ estão sempre fadadas a serem rotuladoras; saem pelo mundo distribuindo rótulos e idéias pré-concebidas. Uma pessoa tipicamente “a priori” está de certa forma cega para a verdade: o real é maior do que qualquer discurso!
Os nomes têm um potencial infinito, pois um único nome pode tornar-se várias coisas; assim como um camaleão em constante metamorfose. Para entender melhor vamos tomar como exemplo a palavra GALINHA. Ao imaginá-la instintivamente pensamos na ave que põe ovos. Porém, a depender do contexto, o mesmo nome nos dá a idéia de uma pessoa namoradeira, vulgar.
Graças a esta mágica vantagem, o nome pode ser máscara, refúgio, ironia, pode ser, até mesmo, o veneno que irá nos matar. Os nomes são armas de ataque e defesa.
Mentir é algo característico do ser humano. Isto porque somente o homem tem a capacidade de criar discursos, utilizando-se dos nomes para enganar aos outros e a si mesmo. Afinal, nem sempre é fácil estar no topo da cadeia alimentar...
O grande macete para lhe dar com os nomes é construir um discurso “a posteriori”. Neste tipo de discurso é possível enxergar o real e entender que ele é maior do que tudo.
Desta forma estaremos abertos e sempre que tivermos chance, complementaremos nosso próprio discurso. Basta estarmos voltados para o que verdadeiramente é real.
Falar de nomes, real, discurso, pode parecer muita loucura. Mas, sinceramente, você alguma vez já se questionou sobre as idéias, conceitos e crenças que traz dentro de si? Em que tudo isso está enraizado? Por que você aceitou muitas idéias como pacotes hermeticamente fechados? Em que ponto o poder de imposição sobrepujou o poder de questionamento?
Costumo pensar porque as coisas são assim. Porque lápis tem nome de lápis ou porque não podemos tomar chuva.
Aceitar idéias como caixas lacradas é correr o risco de fundamentar sua vida em preconceitos.
Taí uma palavra bem interessante: PRECONCEITO. Se formos ao dicionário, com certeza encontraremos uma definição erudita. Ms, ao meu ver, a melhor análise que fazemos dela é a de pré-conceber algo sobre alguém ou alguma coisa. E assim voltamos à idéia do rótulo. Viu como os nomes podem ser perigosos?
Porém, de todas as palavras com o prefixo PRE, a minha preferida é PREOCUPAÇÃO. Se a analisarmos de maneira bem efêmera, podemos vislumbrar sua real essência: Pré-Ocupar. Implica em nada mais do que você se ocupar de algo que ainda nem aconteceu.
Hilária é a idéia de termos uma obsessão irracional por algo que sequer aconteceu, ou pior, pode nem acontecer.
Na verdade, preocupar-se com algo é desperdiçar o seu precioso tempo. Um tempo que você poderia usar para fazer qualquer outra coisa.
Preocupar impede que se viva. Escovamos os dentes preocupados com o trânsito. Dirigimos preocupados com a possibilidade de chegarmos atrasados no trabalho. Trabalhamos preocupados com o retorno para casa e assim por diante.
Pare e pense: Qual foi a última vez que você realmente escovou os dentes?

Bárbara Bastos
19/11/2007

Related Posts with Thumbnails
 
©2007 '' Por Elke di Barros