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No Alvo

Rompendo com as barreiras superficiais dos relacionamentos

Viver com os outros nem sempre é coisa fácil. Mais difícil, ainda, é trabalhar com pessoas estranhas e complicadas, em contato quase diário, sobretudo quando não estamos preparados para isto. Uma das estratégias é conhecer a si mesmo. Mas o que fazer quando temos em nossa equipe um colega de trabalho que implica com tudo, tem problemas de comunicação interpessoal e precisa dividir conosco a execução de alguma atividade?

Partindo da premissa levantada neste espaço de discussão, tento responder ao pressuposto direcionando a discussão para penetrarmos campos mais férteis e profundos. Conhecer o sintoma não significa conhecer a causa, mas este pode ser um direcionador. Ter uma pessoa com a discrição acima, pode não ser de todos os males, uma vez que, este, não passa despercebido e tão pouco, não se desconhece suas características pessoais.

Conhecer sua realidade, não pode está limitado a ver simplesmente os seus defeitos. Pois como a própria palavra diz “limite”, que aqui, deve ser entendida como simplísmo, superficialidade; fragilizaria toda um diagnóstico. Temos que ter em mente a visão holística social também, para e nas relações interpessoais. Como lidadores de conflitos, gestores de políticas sociais, cientistas sociais; gestar conflitos e /ou em conflito deve nos ser peculiar e, talvez por esse motivo, vejo que a melhor forma de lidarmos com adversários é conhecê-los com mais profundidade, nos aproximando deles, ouvindo-os mais que falando, descobrindo suas fragilidades e seus virtudes, tentando a partir daí superar ou pelo menos, relacionarmos-nos sem maiores conflitos.

Aja visto que, como afirmamos no início, “conhecer o sintoma não significa conhecer a causa, mas esta pode ser um direcionador”. Através desse olhar, aqui superamos o sintoma. Buscamos agora penetramos na ‘causa’ e esta, aqui entendida, como ‘raiz’. Aqui já estaremos preparados para intervir junto a este sujeito pois, que já rompemos, com a fragilidade e a superficialidade de julgarmos suas atitudes; conhecemos com maior penetração sua personalidade e assim, rompemos com as barreiras superficiais do relacionamento.

Ser Assistente Social, no meu entendimento, é ter e ser maduro conhecedor de si mesmo. Como Sócrates há muitos anos antes disse: “(...) conheça a ti mesmo”. E assim sendo, seremos planejadores, investigares inquietos e vorazes conhecedores de homens e como conhecedores de homens transitaremos nos territórios das discordâncias, críticas, elogios com a segurança precisa e necessária para gestar na solução do objetivo comum. Rompidos com a superficialidade dos nossos julgamentos emocionais com relação ao outro. Sabedores que na complexa relação interpessoal, deve ser você, dentro da equipe, o capaz de conduzir uma convivência harmônica e objetivada paro o bem comum, que supera adversidades nas relações, nos programas e projetos que lhe forem apresentados. Mas claro! Isso só acontece para quem está aberto para o dialogar, investigar, ouvindo impostado na habilidade de mediar seja ao nível da infra-estrutura ou da superestrutura.

Por esta via partimos do singular ao universal, sendo objeto proposta, superação da superficialidade de se relacionar com esse individuo “chata”. Conduzindo e canalizando a sua potencialidade a serviço da equipe. Permeando a relação para que este se conheça e se perceba com intervenções seguras, indagações e discordâncias na perspectiva do diálogo, na inteligência emocional, deixando sempre claro os interesses e a importância da equipe quanto às mudanças necessárias e bom relacionamento.





Um Presente da Vida


Quantas coisas boas acontecem em nossas vidas.

Quantas emoções...

São tantas, que pedir para você enumerá-las e datá-las, torna-se humanamente impossível. Pode até se lembrar de algumas que de tão importantes tornaram-se inesquecíveis: aniversário do filho ou filha; o dia em conheceu o seu grande amor; o dia em que nasceu (mesmo que em determinada época da vida não gostemos mais de lembrar...ahahah). Talvez fossemos capazes de recordar dos problemas que por ventura nos deparamos na longa caminhada da vida.

Quantos de nós nos esquecemos de todas as conquistas e batalhas vencidas.

Tantos de nos deixamos de nos lembrar porque já não são prioridades.

Talvez para você, neste exato momento, o mais importante fosse resolver uma mera dor de cabeça ou quem sabe, encontrar o número do telefone de uma pessoa com quem quer falar o mais depressa possível.

Ai de nós se pudéssemos registrar na consciência, para jamais cairmos no esquecimento de nós mesmos, todos os fatos de nossa vida. Já imaginou?...

Quem sabe, dessa maneira, fossemos melhores?

Quem sabe não lamentássemos tanto nossa curta e veloz trajetória?

Quem sabe?...

O que espero aconteça de agora em diante é que você não fique lamentando-se dos fatos, enquanto o seu presente passa sem que você segura as rédeas dos acontecimentos, com o prazer de poder estar vivo e podendo viver "apesar de"...

Não que você ou eu, não tenhamos o direito e quem sabe, até o dever como seres humanos, de queixar-se e chatear-se de situações problemas.

Só peço que pare para pensar antes nas benesses que a vida lhe proporcionou, inclusive os obstáculos capaz de superar. Pois assim, fica bem mais fácil viver. Do contrário mais dolorido se tornará o problema e menos doce a vida.

Então conseguiu lembrar-se de todos os acontecimentos em sua vida?

Se conseguiu, descobriu as datas?

É humanamente impossível.

Assim sendo, porque continuarmos encarando a vida por tal prisma?

Está mais do que hora de mudarmos a maneira de ver a vida.

Pense nisso e reavalie sua maneira de encarar os fatos que se apresentam na sua trajetória.






Reflexão sobre os monólogos travestidos de diálogos...

Refletir nunca, em nenhum outro tempo, foi tão difícil. Digo isso, por não sabermos mais reconhecer quem são os mocinhos, nem quem são os bandidos. São tantos os lobos em forma de cordeiros que já ficamos meios perdidos diante deles.

Nunca pensei que possibilitar novos modelos e espaços de acesso para aprendizagem pudesse motivar tanto medo, ameaça e pânico, principalmente em determinada categoria profissional. Realmente, o que vem ocorrendo é de causar espanto! Considero isso devido à maneira com que vem sendo alimentada, já que nasce de forma isolada e sem fundamentação.

O que não nos impede de sentirmos indignação e ficarmos com certo grau de preocupação já que, nós não podemos saber ao certo se a preocupação destes profissionais é com a educação e a profissão ou, se é com a garantia de seus lugares no mercado de trabalho. Bem, quero poder acreditar que sejam as duas primeiras possibilidades. Mas se for realmente isso, estes deveriam estar discriminando e boicotando o aprendizado, estágio curricular, de futuros profissionais? Pois é o que nos parece e vem acontecendo aqui no nosso país! Dá para acreditar?

Não quero entrar no mérito da qualidade do ensino, se boa ou ruim. Não só por não ser, realmente a pessoa mais indicada, mas porque já possuímos os órgãos e instituições superiores de ensino com seus mestres, doutores e PHDs para discutir a educação em seus métodos, modelos e qualidade. O que não nos impede de questioná-los, mas não é essa a celeuma em questão.

Sabemos que em cada um de nós existe um crítico. E, com um olhar crítico a tudo, este grita loucamente dentro de nós para apontar esse ou aquele defeito, mesmo que, muitas vezes, sem a competência para tal. Tudo devido à falta de profundidade, essa superficialidade para com o todo do objeto criticado. Esta atitude parece ser mais um ato instintivo do que uma ação racional.

A crítica, sempre será bem vinda, mesmo porque, sem ela, não conseguimos ser quem somos, seres pensantes. Porém, esse olhar crítico não pode e não deve vir envenenado pelo preconceito, cheio de si em si. Talvez possa ser esse, “o olhar crítico” que vêm nos lançando os profissionais de Serviço Social. Aqui não ouso afirmar, por não ser eu o dono da verdade. Mas como sofro desse “olhar crítico”, percebo e sei que ele carece de justiça. Criticar a educação é necessário sim. Exigir mais investimento e melhor qualidade faz parte desse processo sócio-histórico. Mas isso de desqualificar todos os alunos, graduados, Mestres, Doutores e PHDs que estão sendo ensinados, foram ensinados e/ou ensinam em redes de educação EAD, não nós parece sensato. Se assim o fosse, todos seríamos “Farinha do mesmo Saco”, digo do mesmo sistema de educação. Tanto quem crítica, como parecendo que dele não fazendo parte, quanto quem é criticado. Uma vez que todos somos frutos do mesmo ensino tradicional presencial.

Para melhorar a educação e/ou modelos de ensino é necessário mais do que críticas superficiais. É necessária reflexão, discussão e investimento. Não são posturas infantis, preconceituosas e de boicotes contra a formação de alunos ou contra a atuação de profissionais do Serviço Social (os poucos que contribuem com a formação dos alunos EAD) que entenderam não ser esse o caminho.

O que se espera dessa categoria profissional, Assistente Social, é, no mínimo, sensatez e compromisso com a formação desses futuros profissionais. Ignorando-os, discriminando-os, não os permitindo estagiar, não se trará crescimento algum para a educação, muito menos, para a profissão. Essa atitude, não irá fazer a educação ser melhorada se preciso for, caso seja essa realmente a preocupação dessa categoria profissional. Tentar impedir esses estudantes de aprenderem e apreenderem nos campos de estágios, sob os seus olhares e orientações, não é lucidez.

Não está aberto para permitir novos processos de educação é retrocesso e descompromisso com a profissão e é, antes de tudo, faltar com o respeito aos valos democráticos. A palavra “Democracia” nós soa como o direito de ter direito, de defender direitos e vê-los respeitados. Negar a possibilidade ao novo, é romper com o estado democrático de direito e os valores éticos da profissão. Enfim, é desconstrução não nos permitirmos discutir - respeitando o outro e despidos de armaduras - o preconceito contra os estudantes EAD.

Fica mais uma reflexão para todos nós: Quer façamos parte desse sistema de educação Presencial ou Semi Presencial - EAD, não se pode condenar ou discriminar quem deles fazem parte. Se estudantes EAD vieram do ensino tradicional, se estudantes presenciais permanecem no modelo tradicional. A discussão não deve estar na forma do ensino, mas no direito e na qualidade. Tanto uma como a outra tem necessidade de melhorar. Não é o estudante de modalidade à distância e tão pouco o ensino EAD o “X” da questão. É o direito dos estudantes, quer EAD, quer presenciais, de poderem estudar sem serem discriminados e nem prejudicados por qualquer que seja o “discurso”. Principalmente se de um julgamento vazio de profissionais que se argúem do direito de negar direitos, para quererem ter direito. A Educação EAD é tão boa ou tão ruim quanto a Educação Presencial. Mas é necessário que elas existam e coexistam, porque faz parte do processo, procurar sempre melhorias. Que o digam todas as ciências em seus processos evolutivos.

Percebemos que o problema não está em um ou outro método de ensino, está no olhar de quem os vêm e os negam. Independentemente de ser essa ou aquela modalidade de ensino, vão sempre existir problemas. Mas ao que parece, o problema aqui não é a educação. São os profissionais assistentes sociais que não aceitam os estudantes de Serviço Social EAD. Criticar a educação é necessário, aqui reafirmado. Mas discriminar estudantes não me parece o caminho para se melhorar a educação.

Plagiando Cazuza, “Que já vem malhada antes de eu nascer...”

O que tem me incomodado quanto cidadão de direito, não é quando se questiona a melhoria da qualidade do ensino seja EAD ou Presencial, mas, a forma insana, vergonhosa e covarde do que vêm ocorrendo contra os estudantes desta modalidade de ensino EAD, particularmente, contra os estudantes de Assistência Social.

Justamente estes profissionais que deveriam estar construindo pontes para combater qualquer forma de discriminação. Mas, até mesmo, a atitude desses profissionais, nos ensina o que não podemos e não devemos ser quando formarmo-nos, seja qual for a profissão, no caso, Assistência Social.

Não bastasse a discriminação, que a categoria de assistentes sociais impõem aos estudantes EAD, ainda continuam boicotando estes, não os aceitando como estagiários. E com ardis perversos, lançam críticas aos próprios colegas de profissão, os poucos, que tentam contribuir com a formação dos alunos EAD. Realmente eles envergonham a profissão, julgando defendê-la em nome de algo que nos parece não ser a qualidade da educação. O que nos envergonha e nos enoja quantos futuros profissionais de Assistência Social. Esta violência contra o saber nos faz acreditar ainda mais na verdade de que, a verdade imposta, não é verdade.

Talvez por isso, nunca concordei que monólogos autocráticos fossem construídos como sendo sinônimo de diálogos. Pensar em dialogar é ao mesmo tempo, pensar em se permitir ouvir e falar, em trocar idéias e razões, sem ter ou ser dono da própria razão. Se assim o fosse poderia ser tudo, menos um diálogo.

Quando não nos permitimos o diálogo, começamos a nos entrincheirar nos discursos déspotas, travestidos em razões, de direitos e de qualidades. Esses monologuistas são os mesmos que outrora faziam uso dos “diálogos monólogos” para se passarem por ovelhas mesmo sendo lobos, nas suas maquiavélicas intenções, para usurparem o poder e do poder, golpistas ambiciosos, vis e gananciosos.

Diálogo não se constrói unilateralmente, nem em suas razões preestabelecidas em preconceitos velados em “discursos” cheios de si. Assustamo-nos muito quando pensamos, vivendo em pleno estado democrático de direito, ouvimos e não somente isso. Presenciamos e ao mesmo tempo sofremos esses “diálogos monólogos”, preenchidos de “razões”, essas desequilibradas e infundadas como sendo, a própria verdade. Que nos diga a idade das trevas, e, mais recentemente, a ditadura militar. Mas que bom que tivemos o “Renascimento” e a “Redemocratização”, que surgem para mudar a ordem social estabelecida e fazer um novo pensar e discutir em sociedade. Reorganizando-a para possibilidades de mudanças, em diálogos outros, que não os velhos “diálogos monólogos” de donos e senhores do poder e no poder. Poder esse que não servia se não para os seus próprios propósitos e intentos.

Pensar o diálogo nos faz refletir...

Não, como donos da verdade, pois que esta é livre, senhora em si, não tendo senhor nem senhora que a domine. Aqui talvez, esteja uma ponta desse novelo: defender o diálogo (direito) não se legitima com o monólogo (preconceito). Defender o diálogo só funciona com a permissividade de falar e de ouvir sem, contudo esteja-se senhor da verdade. Se não, a “verdade”, não passa de uma grandessíssima mentira de interesse mesquinho. O que a história tem nos revelado quando observada criticamente e liberta de preconceito.

Deixemos esses lobos travestidos de ovelhas em suas “razões vãs”, em seus “diálogos monólogos” déspotas, pensando estarem passando-se por atentos e preocupados defensores da “educação de qualidade” (verdade), da defesa por profissionais de excelência, por legitimadores da educação profissional. Acreditamos que como um todo, tudo em sociedade não é perene, salvo os valores universais da dignidade da pessoa humana, esses a ferro e fogo conquistados. Mas se a sociedade é por natureza dinâmica por que não se pensar em construímos um diálogo aberto ao novo, a novos saberes, despidos de “diálogos monólogos?” Algo que não seja interesseiro e desprovido de fundamento, sem propósitos vis.

Acredito que possam estar se perguntando neste momento, o propósito de toda essa dissertação. Sim, tem realmente um grande propósito: primeiro explicitar essa tolice toda que vêm nos imprimindo, os assistentes sociais e, segundo, mais importante, fazer através desse texto que você, eu e todos nós, atentemos para esses “diálogos monólogos” travestidos de “verdades”, que nos são apresentados seja na política (autocracia), seja na economia (neoliberalismo), seja na educação (modelos e qualidade) ou em qualquer área de nossas vidas. Já está mais do que na hora de olharmo-los com visões e ouvidos atentos e aguçados, como críticos atores nestes cenários “Shakespeareanos” onde nos dão papeis de figurantes ou de peças mortas nas cenas que se desenrolam...

Convido-os a um diálogo sem a pretensa intenção de induzi-los ou a massificá-los com uma “razão”, mas como desejo que conheçam e fujam da superficialidade das “razões impostas” como sendo estas, esgotadas em si próprias. “Monólogos” como sendo verdades ou a própria e única verdade. Se assim o texto fizer ou provocar em nós, deixamos de ser “figurantes” e também vocês, “monologuistas”. Teremos a possibilidade de nos permitir passarmos a ser “Atores” de diálogos. Estes, desarmados de preconceitos, e não mais cheios nem donos de uma própria verdade mais da construção dela. Assim este texto já vai está cumprindo seu intento.

Não defendemos a idéia de certo ou de errado, mas defendemos o direito que todos têm ao conhecimento. Não acreditamos em “razões impostas” nem em “diálogos monólogos”. Acreditamos na possibilidade das idéias que busquem dela, verdades, universalizado, mas não a esgotado. Negar a possibilidade de novas formas de aprender e apreender é negar o direito de se ter direitos, de defender direito e de respeitar direitos. A ideia de que a sociedade como sendo estática e que a educação também o é e, está esgotada em si. Entendemos que precisamos ser construtores de pontes com duas finalidades: unir para os pólos e avançar, crescer, melhorar...

Nunca pensei que uma ponte fosse construída se não para um fim (finalidade) que não, estas. Somente por este meio romper-se-á com os “monólogos” travestidos de diálogos.


Sérgio Rogério é especialista na área de Segurança Pública e Terceiro Setor, profissional de Serviço Social e diretor da Ong Rede Mundo Melhor.



Agora está aqui conosco

no Ideias de Barbara!



1 comentários:

Verônica Martias disse...

Muito profunda esta reflexão sobre o que falamos e o que escutamos.
Parabéns Sérgio!

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