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Entrevista

Ensino superior ao seu alcance

A busca de acesso ao ensino superior, principalmente como forma de profissionalização e de inserção no mercado de trabalho impulsionou o enorme crescimento deste setor, bem como sua diferenciação. Tal crescimento verificou-se não só no número de Universidades, mas também em Centros Universitários e Faculdades, em especial do setor privado, inclusive com a interiorização das instituições de ensino em todas as regiões e estados da nação, demonstrando uma forte articulação entre o desenvolvimento socioeconômico e os mercados para a educação.

O crescimento da iniciativa privada na área do ensino superior não é um fenômeno apenas nacional, mas mundial, devido a diversos fatores, mas, principalmente, à limitação da capacidade dos Estados em manterem o financiamento adequado às necessidades educacionais de sua população.
Para entender melhor esse fenômeno de crescimento, Ideias de Barbara, entrevistou a Doutora em Educação Maria de Fátima de Andrade.

Ideias: Qual o fator principal para interiorização do ensino superior?
Maria de Fátima: A própria evolução regional, fez com que os alunos egressos do ensino médio procurassem cursos superiores em suas próprias cidades.

Ideias: Como o aumento da oferta de vagas em universidades pode colaborar para o desenvolvimento de uma cidade?
Maria de Fátima: Com a expansão dos cursos universitários, aumentam as demandas por instalações físicas, os mais variados tipos de serviços, desde de moradia, consumo, saúde.

Ideias: Como uma instituição de ensino deve escolher que cursos ofertar em uma determinada região?
Maria de Fátima: Temos que ofertar cursos que dêem condições aos alunos de enfrentarem o mercado de trabalho. Cursos com qualidade física, psicopedagógica, didático-pedagógicas.

Ideias: Os programas governamentais de financiamento ajudam?
Maria de Fátima: O governo precisa ampliar programas como o Prouni. O índice de alunos beneficiados ainda é pouco.

Ideias: Existem diferenças em relação ao nível de educação entre as regiões?
Maria de Fátima: Apesar da educação ser nacional, ela precisar estar contextualizada com a região. É preciso se preocupar com os egressos dos cursos, principalmente com que tipo de mercado de trabalho eles vão encontrar.

Ideias: A educação de base preocupa?
Maria de Fátima: É necessário melhorar a qualidade da educação básica, tanto da fundamental quanto do Ensino Médio.






Nos trilhos do Progresso


O transporte ferroviário brasileiro atravessa um período de revitalização. Impulsionado pela construção da Ferrovia Norte-Sul, que cortará os estados do Pará, Maranhão, Tocantins, Góias, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul este segmento apresenta-se cada vez mais como uma alternativa real e viável.
Agora chegou a vez da Bahia. Incluída dentre as obras do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – está a construção da FIOL - Ferrovia Oeste-Leste. Uma obra que promete alavancar o crescimento econômico do estado.
A FIOL partirá de Ilhéus passará por cidades como Caetité, Brumado, Bom Jesus da Lapa, Luiz Eduardo Magalhães e Barreiras, encontrando-se com a Ferrovia Norte-Sul na cidade de Figueirópolis, no estado do Tocantins, percorrendo cerca de 1500 km. Será a maior obra de infraestrutura em transporte já realizada no estado da Bahia, tendo como preocupação um desenvolvimento estrutural que possibilite o crescimento econômico e aumente a geração de emprego e renda, atingindo todos os setores da economia.
Seguindo os trilhos do progresso, Idéias de Bárbara entrevistou Jefferson Santos, Mestre em Ciências Aeroespaciais e em Segurança e Defesa Hemisféricas, sobre como as ferrovias podem mudar o Brasil.

Ideias de Barbara: Como as ferrovias beneficiam o país?

Jefferson Santos: Circulam bens, produtos e riquezas.
Integram todos os pontos do país de forma econômica e sustentável e agridem muito menos o meio-ambiente. Cada estação, de passageiros e de carga, cada terminal de transbordo permite, ao seu redor, a criação de núcleos habitacionais.

Ideias de Barbara: A construção de ferrovias pode gerar que tipo de melhorias na infra-estrutura local?

Jefferson Santos: A infra-estrutura de distribuição de energia elétrica para atender as ferrovias também pode ser utilizada para distribuição de energia residencial e comercial, além de redes de telecomunicações.

Ideias de Barbara: Que tipo de problemas elas podem ajudar a evitar?

Jefferson Santos: Desemprego, violência urbana, melhor distribuição de renda por intermédio de criação de postos de trabalho em função de uma maior circulação de riqueza e produção de bens e de produtos. Retendo-se o cidadão, empregado e com saúde e educação de qualidade, promovidos pelo desenvolvimento que as ferrovias podem trazer, ele deixa de emigrar, de viver em bolsões marginais das grandes cidades, de ser um vetor da violência urbana e de onerar os municípios, além da capacidade de prover saúde e saneamento.

Ideias de Barbara: Você é a favor da ampliação da malha ferroviária? Por que?

Jefferson Santos: As ferrovias são essenciais para o nosso desenvolvimento social e econômico. Jamais chegaremos a ser a quinta economia no mundo se não melhorarmos as malhas de distribuição de energia elétrica, regular e sustentável bem como a ampliação dos modais ferroviários e rodoviários.





Nas Ruas do Brasil

No ano em que completará 13 anos de 
existência, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) conseguiu atingir um de seus principais objetivos: reduzir a proporção de acidentes. No entanto, a violência e a gravidade das ocorrências aumentaram, fazendo do trânsito um dos maiores causadores de mortes no País.
Estudos demonstram que a frota de veículos em circulação e o número de motoristas cresceu consideravelmente nos últimos anos, mas a consciência dos motoristas não. Apesar disso, na avaliação de especialistas, o Código trouxe melhorias e um avanço inegável em termos de legislação.
Para falar sobre este assunto, Idéias de Bárbara entrevistou com exclusividade o advogado Marcelo José Araújo, especializado em Direito de Trânsito, professor da Faculdade de Direito de Curitiba e da PUC-PR e assessor jurídico para assuntos de trânsito da Renault do Brasil e da Motos Honda.

Nossa conversa foi bastante esclarecedora.
Confiram as respostas do nosso entrevistado.


Idéias de Barbara: De modo geral, o brasileiro está preparado para cumprir as determinações do Código de Trânsito?

Marcelo Araújo: Uma Lei é resultado (em princípio) do anseio da sociedade, que elege seus representantes para manifestar sua vontade. O legislador está lá para materializar essa vontade, portanto quando uma Lei é editada significa que a própria sociedade já a aguarda, e deve estar preparada para cumprí-la. 7) Uma Lei já nasce defasada porque a sociedade está em constante mutação, novas situações acontecem o que tornam necessárias atualizações e mudanças. É difícil apontar quais mudanças ou quais pontos devam ser atualizados e revistos, mas o mais importante é que guardem consonância com as regras que não forem modificadas para que não se crie uma colcha de retalhos, com leis que representem apenas parte de interesses específicos ou pequenos nichos.

Idéias de Barbara: Há muita confusão entre o que é advertência e o que é multa, quais as principais diferenças?

Marcelo Araújo: Na internet tem circulado uma notícia dando conta que a multa que você recebe pode ser convertida em Advertência, dá algumas orientações sobre a documentação a juntar, e dá conta que num prazo de 30 dias está tudo resolvido.
Preliminarmente deve ser esclarecido que quem tem a competência legal para fazer a conversão da Multa (penalidade pecuniária) em Advertência (penalidade moral) é a Autoridade de Trânsito com circunscrição sobre a via (Dirigente do órgão de trânsito responsável pela via – municipal, estadual ou rodoviário). Não é o agente de trânsito quem faz essa conversão em Advertência, e também ela não é verbal, é escrita. Ele autua e no momento da aplicação da penalidade é que a Autoridade realiza a conversão, se for o caso. Os critérios para essa conversão são objetivos e subjetivos. Objetivamente basta que a infração seja de natureza leve ou média. O segundo critério, apesar de objetivo pode influenciar o último que é subjetivo, pois ele até pode ter infrações desde que não seja reincidente na mesma nos últimos 12 meses, porém, o fato de ser infrator pode desqualificá-lo no último critério, esse subjetivo, de que o prontuário do infrator pode ser determinante para acolhimento da conversão. O problema para a Autoridade não aplicar a ADVERTÊNCIA é quando o usuário autuado atende aos requisitos objetivos quanto à natureza da infração, não ter nenhuma infração anterior e resta a avaliação subjetiva, que nesse caso nos parece inafastável.

Idéias de Barbara: Aumentar a fiscalização na educação de trânsito das auto-escolas ajudaria a formar motoristas mais conscientes? Como?

Marcelo Araújo: As auto-escolas (ou autoescolas) tem papel muito importante na formação dos condutores mas a tendência é que a parte teórica esteja presente cada vez mais na vida das pessoas, na família e na escola. A obrigatoriedade de frequentar uma auto-escola para obter a carteira veio com o Código de Trânsito em 1998 e já trouxe resultados expressivos, mas a qualidade não pode ser esquecida, para que não se torne mero comércio de carga horária. Nesse ponto a fiscalização dessa atividade é fundamental.

Idéias de Barbara: Como funciona a penalidade de perda da Carteira de Habilitação?

Marcelo Araújo: O Processo de Suspensão do Direito de Dirigir está regulado pela Resolução 182/05 do Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN. Pelo Art. 265 do Código de Trânsito Brasileiro é indispensável que haja processo próprio para suspensão e cassação da CNH, independente do processo que trate da aplicação das multas. Nessa regulamentação vários esclarecimentos importantes devem feitos. A primeira delas é que a Autoridade competente para aplicar a penalidade é o Dirigente do órgão estadual (Detran) em que a pessoa tem a carteira registrada, independente de onde a infração tenha sido cometida. Se o condutor é habilitado no Paraná, somente o Detran/PR poderá aplicar essa penalidade, mesmo que a infração tenha sido cometida no Amazonas ou no Rio Grande do Sul. Problemas sérios ocorreram no Estado de Santa Catarina, p.ex., que acabava conduzindo o processo de suspensão de condutores de outros Estados. O princípio é simples: o Detran que fornece o documento é o que pode retira-lo. Já o processo de aplicação da multa é conduzido perante a autoridade da via onde ocorreu a infração.





Uma Luta Especial


Em entrevista exclusiva ao Idéias de Bárbara e à Revista Folha da Praia, a Secretária Nacional de Educação Especial, Cláudia Pereira Dutra falou sobre a inclusão de alunos com necessidades especiais na escola regular.

Idéias: Qual a importância da inclusão escolar para os portadores de necessidades especiais?
Cláudia: A inclusão educacional é um processo mundial, cujos princípios têm se intensificado tanto em nosso país como em todo o mundo, baseados em concepções como o respeito à pluralidade, o reconhecimento do direito à igualdade à diferença, o combate à discriminação e consolidação da sociedade democrática.

Idéias: Essa inclusão encontra-se legalmente institucionalizada?
Cláudia: No Brasil, a inclusão de alunos com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento e com altas habilidades/superdotação em escolas da educação básica e da educação superior da rede regular de ensino ampara-se na Constituição Brasileira que, em seu artigo 205, que garante “a educação como direito de todos, dever do Estado e da família, com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Esses direitos também são reiterados em diversas legislações, entre elas o Estatuto da Criança e do Adolescente, Decreto nº 5.296/2004, Decreto nº 5.626/2005, Decreto nº 6949/2009, que promulga a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (ONU), bem como pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva/MEC/2008.

Idéias: Então a legislação garante aos portadores de necessidades especiais acesso à escola?
Cláudia: Esse amparo legal e político dá garantias de que os referidos alunos sejam matriculados na rede regular de ensino de sua comunidade, em qualquer nível ou etapa de escolarização, bem como no atendimento educacional especializado, realizado pela educação especial no contra turno.

Idéias: Como é construída a inclusão dos alunos especiais?
Cláudia: A inclusão é construída a partir do Projeto Político Pedagógico da escola, que deve prever as condições de formação continuada dos professores e do atendimento educacional especializado. Assim, a comunidade escolar poderá se organizar para criar condições para responder as necessidades específicas dos alunos.

Idéias: O que tem sido feito para adaptar o ambiente escolar às realidades desses alunos especiais?
Cláudia: O Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação/2007 se define como a conjugação de esforços dos Entes Federados, em colaboração com as famílias e a comunidade para a melhoria da qualidade da educação básica. Dentre outras ações do plano, estão o Programa Nacional de Formação Continuada de Professores na Educação Especial; Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais; Programa Incluir: Acessibilidade na Educação Superior; Programa de Acompanhamento e Monitoramento do acesso e permanência na escola das pessoas com deficiências beneficiárias do Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social – BPC/LOAS. Destaca-se neste Plano, a garantia do acesso e permanência no ensino regular e atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, fortalecendo a inclusão nas escolas públicas.
A soma dessas iniciativas tem contribuído para transformação dos espaços educacionais de seus gestores e educadores quanto aos eixos da Educação Inclusiva.

Idéias: Como as salas multifuncionais podem colaborar para desenvolvimento escolar dos portadores de necessidades especiais?
Cláudia: As salas de recursos multifuncionais são espaços instituídos na escola comum da rede regular de ensino, onde se realiza o atendimento educacional especializado – AEE, complementar a escolarização para os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, por meio do desenvolvimento de estratégias de aprendizagem e recursos de acessibilidade que favoreçam a construção de conhecimentos pelos alunos, subsidiando-os no desenvolvimento do currículo e participação escolar.

Idéias: Essas atividades são diferentes das realizadas pelos demais alunos?
Cláudia: As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado (AEE) diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Dentre as atividades de atendimento educacional especializado são disponibilizados programas de enriquecimento curricular, o ensino de libras, braille, o uso da tecnologia assistiva, comunicação alternativa aumentativa , entres outros.

Idéias: Segundo a LDB em no § 1º, do artigo 58, o legislador diz que “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial”. Estes serviços seriam complementados por outros profissionais como: assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos?
Cláudia: A expressão “serviços de apoio especializado” na rede regular de ensino previsto na LDB corresponde à expressão “atendimento educacional especializado” previsto no Inciso III do art. 208 da Constituição Federal.
São serviços educacionais, realizados pela educação especial, complementares ou suplementares à formação dos alunos por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem.
De acordo com a Resolução CNE/CEB nº 4/2009, consideram-se recursos de acessibilidade na educação aqueles que asseguram condições de acesso ao currículo dos alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, promovendo a utilização dos materiais didáticos e pedagógicos, dos espaços, dos mobiliários e equipamentos, dos sistemas de comunicação e informação, dos transportes e dos demais serviços.
Art. 10. O projeto pedagógico da escola de ensino regular deve institucionalizar aoferta do AEE prevendo na sua organização:
I – sala de recursos multifuncionais: espaço físico, mobiliário, materiais didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos;
II – matrícula no AEE de alunos matriculados no ensino regular da própria escola ou de outra escola;
III – cronograma de atendimento aos alunos;
IV – plano do AEE: identificação das necessidades educacionais específicas dos alunos, definição dos recursos necessários e das atividades a serem desenvolvidas;
V – professores para o exercício da docência do AEE;
VI – outros profissionais da educação: tradutor e intérprete de Língua Brasileira de Sinais, guia-intérprete e outros que atuem no apoio, principalmente às atividades de alimentação, higiene e locomoção;
VII – redes de apoio no âmbito da atuação profissional, da formação, do desenvolvimento da pesquisa, do acesso a recursos, serviços e equipamentos, entre outros que maximizem o AEE.
Parágrafo único. Os profissionais referidos no inciso VI atuam com os alunos público alvo da Educação Especial em todas as atividades escolares nas quais se fizerem necessários.
Os serviços educacionais, portanto, diferem-se dos serviços de saúde prestados por fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais.





Aldair, uma história de coragem, persistência e determinação


Em recente visita à cidade de Ilhéus, o jogador recebeu a reportagem do Ideias de Barbara  para uma entrevista exclusiva.

Não é nenhuma novidade que qualquer garoto sonha em ser craque da seleção brasileira de futebol. No asfalto, na areia, na grama, no concreto, em qualquer lugar é possível encontrar meninos batendo uma bola. O caminho para se tornar estrela de um time não é fácil. São testes em categorias de base, preparação física, negociações com empresários e muito suor. Caminho trilhado com sucesso por Aldair Santos do Nascimento, ex-zagueiro da seleção brasileira, ex-jogador do Flamengo, Benfica e Roma. Um ilheense de garra e coragem.
Com 7 anos, Aldair jogava futebol em um campinho do Banco da Vitória. Aos 12, já jogava com os adultos. Incentivado pelo pai, ele dedicou-se ao sonho de ser jogador profissional. Aos 14 anos fez um teste no Vasco. Aos 16 já jogava no time juvenil do Flamengo. Foram anos de sacrifícios. “Os garotos daqui quando vão pra São Paulo e Rio de Janeiro sofrem muito, sentem saudades de casa, da família. Eu não senti tanto, pois tinha um tio no Rio de Janeiro” desabafa Aldair.
Ele possuía qualidades impressionantes: velocidade para cobertura; não tomava dribles bobos; adaptava-se quer do lado direito, quer do lado esquerdo da zaga; bom no jogo aéreo; e sobressaía-se pela qualidade do passe ao desarmar o adversário. Assim sendo não foi novidade pular das categorias de base para o time profissional. Era 1985, o Flamengo mostrava toda a força da sua máquina esportiva com as excelentes atuações de jogadores como Zico, Leandro e Andrade, e entre eles o jovem Aldair. “Era o meu sonho” declara com saudosismo Aldair, que participou da conquista da Taça Carioca em 1986 e da Taça União em 1987.
Em 1989, mesmo querendo continuar no Flamengo, foi negociado ao time português Benfica, por 1 milhão de dólares. Lá, foi titular do time até o ano seguinte quando despertou o interesse do clube italiano Roma. Começava assim sua brilhante carreira internacional. Ao contrário do que aconteceu quando foi para o Benfica, Aldair enfrentou grandes dificuldades em seu início no Roma. “Nos primeiros 6 meses eu queria ir embora, a língua era complicada e fazia muito frio” revela o craque.
Mas não foi apenas o clima e a língua diferentes que desestimulavam Aldair, mais do que isso, eram as diferenças técnicas do futebol italiano a grande barreira. esclarece Aldair. Sempre muito tranqüilo, ele revela um grande segredo: “Eu sou muito tático. Estava acostumado a marcar o homem, lá não podia. Tive que me enquadrar” E conta um segredo: “Não teria conseguido se o treinador não tivesse tido paciência de esperar o meu tempo.” Superadas as dificuldades o jogador defendeu a camisa do Roma por 13 anos. Tornou-se ídolo, tanto que ao anunciar que sairia do clube, foi homenageado com a aposentadoria da camisa 6, usada pelo craque.
Aldair ainda não tinha pendurado as chuteiras. Ele pretendia jogar mais um ano. Foi para o Genoa, outro clube italiano. “Fiquei apenas 6 meses lá. Queria voltar para o Brasil. Queria voltar para o Flamengo” revela o jogador. O plano não deu certo. Com problemas de contusões musculares, Aldair anunciou que se aposentaria, deixaria os gramados. Afastado dos campos, em 2005 anunciou que retornaria ao Brasil, e defenderia, a pedido de sua esposa capixaba, o Rio Branco. Cumpriu sua palavra, mas novamente parou de jogar. Algum tempo depois, em 2007, foi convencido pelo seu amigo, o atacante italiano Massimo Agostini, a voltar a jogar futebol, defendendo a camisa do Murata, clube de San Marino. Sempre muito sincero, ele nos revela: “Na primeira partida só consegui jogar um tempo”. Antes disso, porém, recusou um convite do Roma, para ser treinador das categorias de base.
Mas se sua carreira profissional foi marcada pelo sucesso, sua atuação na seleção brasileira foi brilhante. Tetra-campeão mundial em 1994, ele tem 95 jogos pela seleção, sendo 87 pela principal e oito pela olímpica. Foi o zagueiro que mais atuou com a “amarelinha”. Recorde que desperta inveja em muitos colegas jogadores. Desse período de sua história, o craque guarda boas recordações. “Lembro que estreei na seleção num jogo amistoso contra a Inglaterra, ganhamos por 1X0, tinha 22 para 23 anos.” relembra Aldair.
Tanto talento e determinação não poderiam deixar de ser reconhecidos. Em 2008, Aldair foi homenageado em Mônaco durante as cerimônias do prêmio “Golden Foot”. O brasileiro foi eleito uma das lendas do futebol mundial, ao lado de outros quatro ex-jogadores: Zinedine Zidane, Igor Belanov, Luis Suarez e Roger Milla.
Exemplo para toda uma geração de novos jogadores, Aldair decidiu aproveitar sua influência positiva para dar inicio ao seu próprio projeto social: sua escolinha de futebol. “Fiz para tirar as crianças e jovens da rua, das drogas. Não foi só para formar jogadores, e sim para lapidar caráter.” esclarece o craque. Funcionando no Banco da Vitória, em Ilhéus, a escolinha acalenta os sonhos de meninos como Mateus Rocha dos Santos, de 12 anos. “Quero mudar minha vida e da minha família” revela o menino.
Atualmente Aldair continua a dedicar-se ao futebol, mas de uma maneira diferente. Juntamente com 4 amigos, abriu um empresa de consultoria e agenciamento de jogadores na Itália. Quem sabe, abrindo novas portas para novos talentos de Ilhéus, da Bahia, do Brasil.

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©2007 '' Por Elke di Barros